Bolsonaro cessou homenagens a artistas, mas deu 4 honrarias a Michelle

    O governo também agraciou o próprio presidente com a Medalha do Mérito Indigenista, apesar de ataques a esta população

    Foto: Marcos Corrêa/PR

    Em pé-de-guerra com a classe antes mesmo do início de seu mandato, o presidente Jair Bolsonaro (PL) rompeu uma tradição de mais de duas décadas ao cessar as homenagens aos artistas e entidades que contribuem para a cultura brasileira.

    De acordo com informações da coluna de Guilherme Amado, no portal Metrópoles, desde que assumiu a Presidência, em 2019, Bolsonaro nunca homenageou artistas com a Ordem do Mérito Cultural, que foi instituída no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A última entrega ocorreu no governo de Michel Temer (MDB).

    Apesar de preterir a classe artística, o governo Bolsonaro foi generoso com a primeira-dama Michelle Bolsonaro, agraciada com ao menos quatro honrarias: Medalha da Vitória, a Ordem do Mérito da Defesa, a Ordem do Rio Branco e a Medalha do Mérito Oswaldo Cruz.

    Além disso, no mês passado o próprio presidente recebeu a Medalha do Mérito Indigenista, apesar de apoiar o garimpo em reservas, atacar indígenas e não ter demarcado qualquer terra para essa população em seu governo.

    Segundo a publicação, a Ordem do Mérito Cultural foi aprovada em 1991, no governo Collor, e regulamentada sob FHC, em 1995. Até 2018, na gestão Temer, o governo concedeu a honraria a pelo menos 700 pessoas e empresas por contribuições à cultura. Dentre os nomes já agraciados estão Fernanda Montenegro, Guimarães Rosa, Cora Coralina e Raul Seixas.