Câmara aprova convite para Torres esclarecer suposta interferência em operação da PF

    A colegas, delegado Calandrini afirmou que após prisão, ex-ministro não foi transferido para Brasília por interferência

    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

    O ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, deve prestar esclarecimentos sobre possível interferência nas investigações da Polícia Federal (PF) que levaram à prisão do ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro. O requerimento foi aprovado nesta terça-feira (28) pela Comissão de Trabalho, de Administração e de Serviço Público (CTASP), da Câmara dos Deputados, e transformado em convite, ou seja, o ministro não é obrigado a comparecer.

    O requerimento foi assinado pelos deputados federais petistas Bohn Gass (RS), Rogério Correia (MG) e Reginaldo Lopes (MG). Os parlamentares defendem que Torres preste esclarecimentos sobre possível interferência da cúpula da PF ou por integrantes do Executivo Federal.

    O pedido vem após divulgação de mensagem do delegado Bruno Calandrini, responsável pelas investigações, na semana passada. A colegas, Calandrini afirmou que houve interferência na Operação Acesso Pago, que resultou na prisão provisória de Milton Ribeiro, para não transferir o ex-ministro para Brasília após sua prisão.

    “Trata-se de uma informação grave, mas que não causa surpresa, na medida em que, contrariamente ao que afirma o presidente da República, a instituição Polícia Federal, desde a era [Sérgio] ‘Moro’ (que não deixa saudades), já vinha sendo pautada e/ou limitada, em suas ações, de modo a não contrariar, no trabalho investigativo, os interesses presidenciais, de seus familiares e aliados”, diz o requerimento.