Eurodeputados visitam Amazônia para avaliar impacto ambiental das exportações

    Parlamentares contam que foram alertados pelos indígenas sobre problemas ambientais e de direitos humanos

    Foto: Divulgação / Luiz Silveira / Agência CNJ

    Uma delegação com três integrantes do Parlamento Europeu desembarcou no Brasil nesta quinta-feira (14), com o objetivo de avaliar o impacto das exportações brasileiras à União Europeia sobre o desmatamento, o clima, a biodiversidade e os direitos humanos. Na ocasião, os eurodeputados devem se reunir com comunidades locais, ONGs e pesquisadores, para discutir o tema.

    Segundo informações da Folha de S. Paulo, o grupo é formado pela alemã Anna Cavazzini, vice-presidente da delegação do parlamento europeu para as relações com o Brasil e negociadora do partido Verde sobre o acordo comercial com o Mercosul; o francês Claude Gruffat, membro da delegação para relações com o Mercosul; e a francesa Michèle Rivasi, especialista em saúde ambiental e ponto focal para direitos indígenas no comitê de desenvolvimento do parlamento.

    “Ouço dizer que o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul inclui todas as precauções necessárias para proteger a floresta amazônica. Mas uma vez que estamos em campo, vemos que isso não é verdade”, disse Gruffat. “ONGs e representantes dos povos indígenas estão nos alertando. Eles nos pedem para vir e ver. Então aqui estamos para falar com a sociedade civil, políticos e empresas, para então chegar a uma conclusão sobre esse acordo”, acrescentou.

    Segundo a publicação, além do acordo com o Mercosul, o Parlamento Europeu deve votar, em setembro, uma legislação que prevê a proibição de importações ligadas a desmatamento. Neste sentido, as empresas importadoras devem realizar auditorias para garantir a procedência das matérias-primas.

    A preocupação dos parlamentares progressistas se dá a respeito da redução do foco das novas leis, visto que os textos atuais sugerem que as normas se apliquem apenas a florestas, deixando de fora ecossistemas não florestais como o cerrado brasileiro.

    Segundo a eurodeputada Michèle Rivasi, caso não seja incluida a proteção de outros ecossistemas, “a União Europeia continuará a ser cúmplice na destruição de ecossistemas valiosos para a biodiversidade e na luta contra as alterações climáticas”. “As importações europeias de soja estão levando à conversão do Cerrado brasileiro, a savana mais biodiversa do mundo”, afirmou.