Campos Neto diz que Brasil é o ‘único do mundo’ com revisões de crescimento para cima

    Segundo o presidente do BC, o Brasil tem surpreendido positivamente

    Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

    O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, declarou nesta sexta-feira (26) que o crescimento da economia do Brasil tem surpreendido positivamente, e o país é o “único do mundo” com revisões para cima nas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2022. As informações são da Reuters.

    “O Brasil é o único país do mundo com revisões de crescimento. Sim, tiveram medidas do governo que ajudaram, mas acho que tem aspectos estruturais também”, afirmou.

    Durante um evento, Campos Neto ainda ressaltou um “crescimento forte de serviços, mas a indústria ainda está sofrendo um pouco”. A “grande surpresa”, segundo ele, é o desempenho do mercado de trabalho, projetando uma taxa de desemprego em 8,5% neste ano.

    “É uma taxa que não se via há muito tempo, nada no mundo nessa proporção do Brasil, o que mostra o efeito de políticas combinadas. O crédito também super saudável. Uma alta da inadimplência é natural com alta de juros, mas mesmo assim dentro dos parâmetros”, disse.

    Sobre a inflação brasileira, o presidente do BC destacou que comemora melhoras recentes, como deflação em julho, e que atribui o movimento a medidas do governo, como a queda na alíquota do ICMS.

    No entanto, do mesmo modo, defendeu que “não pode baixar a guarda”, com os preços de alimentos ainda elevados, e que a maior parte dos efeitos da alta de juros ainda não foi sentida pela economia.

    Frente a situação global, Campos Neto destacou que o Brasil “saiu na frente” do resto, com um ciclo de alta de juros “mais rápido, agressivo”. “Não tem quase nada praticamente de precificação de aumento de juros nos próximos seis meses aqui”.

    Para o presidente, o cenário da inflação atual é diferente de 2014.“Agora, é o contrário, a nossa está abaixo da média dos desenvolvidos. Não faz sentido analisar a inflação comparando com 2014, são categoricamente diferentes. Todos os países estão com inflação acima da expectativa, tanto neste ano quanto no próximo. O Brasil já fez grande parte do trabalho”, afirma.