Frase da vez
“O povo brasileiro deu a demonstração de que é possível que o povo que elege um político, o destitua. Peço a Deus que nunca mais o brasileiro esqueça essa lição”
Lula, em 1996, sobre Fernando Collor, que sofreu impeachment em 1992

Em 2010, após a vitória de Dilma, o candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio (falecido em agosto de 2014, aos 83 anos) preconizou:
– Não vai dar certo. Esta moça nunca disputou mandato de vereador, deputado ou qualquer coisa. Não é do ramo.
Confere. No conjunto da obra que resultou na queda de Dilma, esse detalhe teve peso fundamental.
Uns dizem que ela virou as costas para o Congresso, outros que nem deu as caras. O fato é que agora, na votação do impeachment, ainda na Câmara, ficou explícita a vastidão da inabilidade: em 513 deputados, não conseguiu nem assegurar os 173 que a salvariam.
O poste que Lula arranjou caiu. E um fator decisivo foi a inabilidade dela.
Sem povo
Observe. Nas manifestações pró-governo que marcaram os dias que antecederam as votações, os manifestantes não eram simpatizantes dela. Eram militantes do PT ou da esquerda.
Isso ficou patente. Dos 137 votos que obteve, boa parte eram de esquerdistas que nem apoiavam o governo, como os do PSOL e da Rede.
O coroamento da situação aconteceu no impeachment do Senado. A marca dos protestos foi a queima de pneus nas estradas.
Ora, queima de pneus… Não está à altura de um presidente.
Sem consciência
Junte-se isso ao fato de que o modelo político brasileiro, o chamado presidencialismo de coalizão, apodreceu.
Antes de abrir a votação no Senado, Renan Calheiros chamou a atenção para isso.
É simples: são muitos partidos, 35 hoje, 27 deles com representação no Congresso. Institui-se o modelo do toma lá, dá cá.
Não há presidente, nem Dilma e nem Temer que resistam a isso.
Aí, o erro não foi de Dilma. Foi do PT que, ao invés de enxergar isso, entrou de sola no esquemão.
Lula tinha habilidade política, atenuou. Ela não, dançou.
Sem palavra
Na política e na vida, palavra dada é coisa sagrada. Dilma não sabia cultuar isso.
O exemplo mais emblemático que temos é baiano. Ainda no começo do segundo mandato, Michel Temer na coordenação política, fez um acordo com ACM Neto para conseguir votos para um projeto de ajuste.
Votaram com o governo: José Carlos Aleluia, Paulo Azi, Cláudio Cajado e Elmar Nascimento. A recíproca seria a liberação do BRT.
Neto até hoje espera. Temer pediu o boné.
Sem esperança
Collor sofreu o impeachment porque surrupiou a poupança dos brasileiros. Já em 2005, no escândalo do mensalão, cogitaram o impeachment de Lula. Álvaro Dias, senador do Paraná, então no PSDB (hoje no PV), vaticinou:
– Não tem clima.
Agora, a crise econômica, vitaminada pela Lava Jato, que já custou 11 milhões de empregos – só na Região Metropolitana de Salvador, 350 mil -, criou o clima.
Nada pior do que acordar pela manhã, desempregado e sem qualquer esperança de sucesso.
Não há presidente que resista.

A posição de Rui
Em visita ontem à Concha Acústica, que vai ser inaugurada amanhã, Rui Costa foi abordado sobre a possibilidade de Geddel retaliar a Bahia no governo Temer:
— Acredito na bondade dos homens, isso não acontece mais na Bahia. A última vez que aconteceu foi com Lídice da Mata. Os tempos são outros e o governador sou eu e, quem quiser me pegar, vai ter que correr. Porque precisa ter tanta energia para trabalhar quanto eu.
Geddel em pauta
Geddel, que andava meio escanteado, vivendo um quase ostracismo depois da derrota para Otto Alencar em 2014 na disputa do Senado, volta ao topo com a ascensão de Michel Temer ao poder. Ele é pauta nas rodas políticas. O cacife subiu, e se pergunta é o que disso vai resultar.
Aliados de ACM Neto querem saber o que ele vai querer, especialmente em 2018. Disputar o governo ou o Senado? E os de Rui se dividem entre os que almejam uma boa interlocução administrativa e os xiitas.
Estes dizem que ele entra na mira da Lava Jato.
Questão de querer
Na votação do impeachment ontem, o senador Walter Pinheiro defendeu a aprovação de emenda instituindo novas eleições presidenciais ainda este ano. E não aceitou o argumento da falta de tempo. Ponderou que a Casa, quando quer, tudo pode:
— Quando foi para aprovar uma emenda constitucional abrindo uma janela partidária de 30, votaram rapidinho.

Wagner em cena
Jaques Wagner e os demais ministros renunciaram assim que a votação do impeachment terminou.
Ele diz que vai ficar entre a Bahia e o apoio a Dilma, até a votação final, em outubro.
Ontem, no Twitter, antevendo a derrota no Senado, Wagner preconizava:
— Milhões de pessoas terão que aceitar goela abaixo um projeto que retira direitos e corta programas sociais.
SOS indústria 1
Na instalação da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Baiana ontem, na Assembleia, o clima foi de otimismo. O deputado Pablo Barroso (DEM), falando sobre o caráter suprapartidário da iniciativa, sintetizou:
— Entre os interesses políticos e os interesses do estado da Bahia, ficamos com os do estado da Bahia.
O discurso é bonito. Vamos ver a prática.
SOS indústria 2
Ricardo Alban, presidente da Fieb, diz que se as leis passam na Assembleia, a aliança é fundamental. Lá, tramitam 39 projetos de interesse dos industriais.
Todavia, ele ressalva que a indústria, o setor que mais perdeu com a crise, tem grandes demandas que precisam do apoio de todos. Cita o Estaleiro Enseada do Paraguaçu, que está parado, como uma das principais.
— O estaleiro envolve uma cadeia enorme.
SOS indústria 3
“O novo governo, no arriar das malas, já tem que mostrar para quê veio. Não há mais tempo a esperar”
Saudade da oposição
A queda de Dilma e a subida de Michel Temer ao poder federal não abalou muito o presidente da Assembleia, Marcelo Nilo (PSL).
— Estou com saudade de ser oposição. Claro que é melhor ser governo, mas a oposição é muito motivante.
O deputado Luciano Ribeiro (DEM), oposicionista, ouviu a conversa e propôs:
— Quer trocar?
Questão petrolífera
Arauto da luta em defesa da permanência da Petrobras atuando nos campos terrestres da Bahia (a empresa já anunciou que vai deixar de operá-los em janeiro), o deputado Rosemberg Pinto (PT) insinuou ontem que está quase jogando a toalha:
— Tenho trabalhado para reverter a decisão, mas não tenho sentido a participação dos principais atores nessa direção.
Com a queda de Dilma, o quadro agravou-se.

Isidório e as mulheres
A Comissão dos Direitos da Mulher da Assembleia protocolou ontem na mesa uma representação ao Conselho de Ética contra o deputado Sargento Isidório (PDT) por falta de decoro. Num vídeo do Dia das Mães, Isidório pegou na genitália da mãe e disse:
— Obrigado por não ser sapatona.
Outdoor educativo
Roberval Luania, presidente da Central de Outdoor, anuncia que vai deflagrar uma maciça campanha de outdoor conscientizando a população da necessidade de preservação dos bens públicos como praças, monumentos e passarelas.
Roberval diz que a campanha, de utilidade pública, tem o propósito de reforçar uma parceria de mais de 40 anos da Central com a cidade de Salvador.

