Black Friday ou fraude? Apesar de expectativa alta, dia de promoções não agrada baianos

    Este ano a Black Friday, que acontece nesta sexta-feira (25), não está agradando tanto o consumidor baiano

    Foto: Reprodução/ Agência Brasil

    Na promessa de um dia inteiro de promoções e volume de vendas, a Black Friday, que acontece nesta sexta-feira (25), este ano não está agradando tanto o consumidor baiano.

    A dona de casa, Arlinda da Silva Oliveira, afirmou, em conversa com o bahia.ba, que não achou os preços muito diferentes do habitual, mas que em relação ao ano passado está um pouco melhor. “Está mais barato”.

    Apesar de Arlinda achar os preços da Black Friday deste ano estarem levemente mais baixos, a dona de casa disse que só comprou o que precisava e o que estava pesquisando há um tempo, mas “não achou os preços nada demais”.

    Já a costureira Rosana Alves, criou mais expectativa em relação à data, que tanto aguardava para ter a oportunidade de fazer compras mais em conta.“Eu sinceramente esperava mais, mas deu pra comprar. Tem algumas coisas que estão valendo a pena, mas eu esperava mais”, disse.

    Assim como Arlinda, Rosana também aproveitou o momento para comprar produtos que já vinha pesquisando e não encontrou nenhuma promoção que chamasse sua atenção”.

    “Eu acho que os preços estão muito parecidos com os dias normais. Não tem muita diferença não. Para mim não teve muita diferença, sem uma grande diferença”, ressaltou.

    Embora os preços para as consumidoras não estejam sendo positivos, a expectativa para o Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado da Bahia (Sindilojas/BA) e o Fecomércio-BA para novembro, com o período da Black Friday e Copa do Mundo, é de crescimento em relação ao ano passado. 

    O Sindilojas estimou um avanço de vendas em 15% para o período ante 2021.“Para a Copa do Mundo e Black Friday é de R$49 milhões. Não acho sustentável agora falar em valores seria ‘chutômetro’ , vamos aguardar como se comporta o mercado”, destacou o presidente do Sindilojas, Paulo Motta.

    Sobre as projeções do Fecomércio-BA, os setores mais ligados à Black Friday devem faturar R$ 4,3 bilhões no mês de novembro no estado. Esse montante é 0,5% superior ao visto no mesmo período do ano passado.

    O consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze, enfatizou que para este ano, por exemplo, a tendência é de aumento de 2,3% nas vendas no setor de Eletrodomésticos e Eletrônicos, para um faturamento de R$ 1,64 bilhão. “Embora a taxa de juros esteja nas alturas, esse é o mês de promoções especiais e oportunidades únicas para os consumidores que desejam comprar refrigeradores, televisores, fogões, etc.”

    Além disso, a federação ressaltou que a Copa do Mundo é outro indicador importante para a contribuição nas vendas em novembro.

    “Neste pós-pandemia e a volta dos eventos corporativos e particulares, a expectativa é que haja uma busca por televisores, equipamentos de som, entre outros para a confraternização das pessoas durante o evento, principalmente em jogos do Brasil”, diz Dietze.

    Além desse setor, os Supermercados e os Vestuário e Calçados devem crescer 5,1% e 3,7%, respectivamente, onde parte desse ganho está atrelado ao aumento de preços dos produtos. No entanto, segundo o órgão, eventos importantes como Black Friday e Copa do Mundo exercem influência positiva nos resultados.

    E, por fim, as lojas de Móveis e Decoração que segundo Fecomércio, devem retrair 16,5%. 

    “O ritmo do comércio nesta época do ano não deve ser mais positivo por conta dos juros elevados que dificultam o acesso ao crédito pelo consumidor e deixa os produtos que dependem de crédito, com um valor mais caro. Além disso, o nível elevado de famílias com contas em atraso traz certa limitação de consumo”, comenta o consultor econômico da Fecomércio-BA.

    Comerciantes

    Do lado do comércio, a estimativa é positiva. O supervisor comercial do Baianão, Alexandre Cavalcanti, espera um crescimento de 50% no faturamento mensal em relação ao ano passado. “A expectativa é muito boa, a gente acredita que os clientes estão com desejo de compra e a gente está pronto para atendê-lo”.

    Em relação ao público para esse ano, Alexandre espera que dobre por conta do pós-pandemia que trouxe mais liberdade e segurança aos clientes. “A partir das 13h a tendência é mais que dobrar o número de pessoas.”

    Enquanto isso, o gerente das Casas Bahia do Shopping da Bahia, Jhonatas Caetano acredita que será um momento muito bom, principalmente por se tratar da união da Copa e Black Friday.

    “A junção das duas fomenta ainda mais o mercado, ajudando muito mais a nossa sazonalidade, quando agente converter isso em resultado de vendas. Acreditamos que podemos ter um crescimento de 25% a 30%”. 

    Sobre a movimentação, Jhonatas afirmou que espera muito mais clientes do que no ano passado, mas a quantidade de pessoas no início do dia mostrou o contrário. “Ainda não está sendo como a gente esperava que fosse realmente, mas acreditamos que começa a melhorar ao longo do dia”, disse.