Mauro Vieira descarta ida de Lula a Venezuela e Cuba no início do mandato

    Futuro chanceler do governo eleito disse não haver motivo para o presidente ir no curto prazo a esses países

    Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

    Em entrevista ao jornal Estadão, publicada na manhã desta quarta-feira (21), o futuro ministro das Relações Exteriores indicado pelo presidente eleito Lula (PT), Mauro Vieira, disse não haver motivo para o petista visitar, logo no início do novo mandato, a Venezuela, Cuba ou Nicarágua, como foi especulado por opositores nos últimos dias.

    “Por enquanto, não. Tem que esperar um pouco mais. Não vejo por quê […] O presidente ir no curto prazo à Venezuela, eu não vejo [necessidade], e à Nicarágua, menos ainda. Não tem nenhum sentido. Havana não tem problema, não rompemos relações. Mas não vejo motivo, neste momento, para viagem a Cuba. Se for negociado algo, se tiver motivo, sim”, disse Vieira.

    As especulações surgiram após o próprio Vieira anunciar, na semana passada, que Lula quer retomar as relações diplomáticas com a Venezuela.

    “Vamos apoiar o retorno da Venezuela ao Mercosul. Eles não tinham ainda cumprido alguns requisitos. São alguns requisitos legais. Não sabemos como está a coisa por não termos ninguém em Caracas. A Bolívia quer entrar no Mercosul e o acordo está no Congresso, que precisa aprovar. Sem dúvida o governo vai apoiar. A ampliação do Mercosul é importante”, completou o futuro ministro.

    Em sua primeira coletiva como futuro ministro, Viera afirmou que recebeu de Lula a orientação de restabelecer relações com a Venezuela de Maduro. Vieira disse que após a posse do governo eleito o Brasil enviará um encarregado de negócios a Caracas e, posteriormente, com aprovação necessária do Senado, um embaixador.

    Na última quarta-feira (14), o petista enviou uma carta ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, informando sua decisão de retomar as relações com seu governo a partir de 1º de janeiro.