Publicado em 04/01/2023 às 08h14.

Ministra do Turismo fez campanha com miliciano citado em CPI presidida por Freixo

Daniela diz ‘não tem nada a ver’ com o caso, após miliciano ser nomeado para cargo na prefeitura de Belford Roxo, comandada por seu marido

Redação
Foto: Reprodução / TV Globo
Foto: Reprodução / TV Globo

 

Recém empossada como titular do Ministério do Turismo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Daniela Carneiro (União Brasil-RJ) fez campanha em 2018 – quando apoiava o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – ao lado de um miliciano condenado por homicídio, no Rio de Janeiro.

De acordo com informações da Folha de S. Paulo, o grupo político da ministra e de seu marido, o prefeito de Belford Roxo, Waguinho (União Brasil), mantém vínculos com a família do ex-Policial Militar Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, condenado sob acusação de chefiar uma milícia na Baixada Fluminense.

Ainda segundo a publicação, nas eleições de 2018 e nas de 2022 Daniela teve apoio de Giane Prudêncio, mulher de Jura, que há quatro anos chegou a participar de atos de campanha da agora ministra, enquanto cumpria pena em regime semiaberto.

Apontado como chefe do chamado “Bonde do Jura”, Juracy teve o benefício de trabalhar fora da cadeia em 2018, após ter sido nomeado como assessor de uma secretaria da prefeitura de Belford Roxo, comandada por Waguinho. Em 2020, a Justiça suspendeu a autorização de trabalho ao identificar possíveis irregularidades na ação de Jura na prefeitura.

Por meio de sua assessoria, Daniela Carneiro alega que “não tem nada a ver com as nomeações feitas pela prefeitura”, enquanto o advogado de Jura afirma que “a pretensa proximidade entre Juracy e Giane Jura com Daniela do Waguinho não possui o condão de arranhar a reputação da ministra do Turismo”.
CPI DAS MILÍCIAS

O ex-Policial Militar Juracy Alves Prudêncio foi citado no relatório da CPI das Milícias, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, presidida pelo deputado Marcelo Freixo (sem partido), parlamentar que foi convidado por Daniela e aceitou a missão de presidir a Embratur, que é vinculada ao Ministério do Turismo.

Concluído em 2008, o relatório aponta Jura como líder de uma milícia em cinco bairros de Nova Iguaçu. Segundo o documento, o grupo de extermínio fazia ameaças, inclusive durante o período eleitoral.

“A minha relação com a ministra Daniela Carneiro é recente e tem sido muito boa, de muito diálogo. Não tenho dúvida de que a Embratur e o Ministério do Turismo, que nunca trabalharam juntos, podem trabalhar. Minha relação recente com ela é de muito diálogo e de muita correção. Li a defesa dela, e ela atribui as relações à prefeitura. Cabe à prefeitura falar sobre a nomeação”, disse Freixo à Folha, ao comentar o caso.

Segundo o jornal, ele disse também não ter mudado seu posicionamento a respeito da atuação das milícias. “Fiz o maior enfrentamento às milícias já feito no Rio de Janeiro. Levamos à prisão de 240 milicianos e mudamos o conceito de milícia. Milícia é crime organizado e lugar de miliciano é na cadeia”, afirmou.

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