Tebet tem desafio de refundar Planejamento e vencer resistências

    A aposta da ministra para manter o protagonismo político conquistado nos últimos meses é impulsionar a agenda de avaliação de políticas públicas

    Foto: Reprodução/MDB

     

    Um dos símbolos da chamada frente ampla que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a ministra Simone Tebet (MDB) tem o desafio de refundar o Ministério do Planejamento e Orçamento, órgão criado há 61 anos e que foi extinto no governo de Jair Bolsonaro (PL).

    A recriação da pasta preserva tarefas ligadas às suas raízes históricas —o planejamento da economia de governo, como diz o próprio nome—, mas apresenta também distinções em relação ao passado recente.

    As secretarias dedicadas à gestão cotidiana do Executivo migraram para o novo Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, criando uma percepção de aparente esvaziamento —que Tebet rejeita.

    A aposta da ministra para manter o protagonismo político conquistado nos últimos meses é impulsionar a agenda de avaliação de políticas públicas. Em uma primeira demonstração desse objetivo, ela criou uma secretaria para essa área, compondo o segundo escalão da pasta com o mesmo status das importantes secretarias de Orçamento Federal e de Planejamento.

    A tarefa é elencada entre as melhores práticas internacionais e ganha força ao ser colocada como missão central da pasta, mas carrega consigo o desafio político de convencer os demais ministérios e o Congresso Nacional de que muitas ações defendidas e aprovadas por eles podem não ser tão eficientes e, por isso, merecem ser revisadas ou revogadas.

    No próprio governo há dúvidas sobre o real poder da ministra para implementar as transformações pretendidas, que precisarão do apoio e do esforço de Lula para avançar e ultrapassar barreiras.

    Por outro lado, interlocutores avaliam que a defesa da eficiência do gasto ajuda a suavizar o discurso, sobretudo para uma representante do centro liberal em um governo de esquerda.