Prefeito comenta número de deputados eleitos na oposição, mas também lógica do parlamento

    A oposição teve votação das mais expressivas na última eleição

    Foto: ALBA/Divulgação

    A oposição na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) teve das mais expressivas votações na última eleição (cerca de 30 deputados) e criou uma grande expectativa no grupo, mas nem bem os trabalhos foram iniciados e a realidade já começa a mudar. O prefeito Bruno Reis (UB), por exemplo, ao iniciar o debate sobre o flerte do presidente do Solidariedade na Bahia e deputado estadual eleito, Luciano Araújo que negocia a adesão do partido à base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) , apesar da sigla ter apoiado a candidatura do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (UB) ao Palácio de Ondina nas eleições passadas, minimizou uma das baixas que está por vir. Reis preferiu classificar como algo natural do processo político e, para além, afirmou que ‘todos tem esse direito e cabe ao grupo contrário compreender’.

    “Isso vai ocorrer, é início de governo, as pessoas estão ouvindo, entendendo como vai funcionar o dinamismo do Executivo Estadual, a gente não condena quem queira conversar com o outro lado (base governista), mas também não se preocupa”, disse, reforçando que é natural que todo mundo converse com todo mundo.

    Para ele, entretanto, em nenhuma outra legislatura a oposição saiu com uma quantidade tão expressiva de deputados eleitos como nessa 20º, em que os deputados serão empossados nesta quarta-feira(1º). Mas, diante do exemplo citado acima, avaliou, ainda que nas entrelinhas, que esse número tende a cair.

    Em um cenário otimista, fonte do bahia.ba computa que a oposição consiga manter ao seu lado, no máximo, 19 deputados, computando com o pessolista Hilton Coelho que assume uma postura independente ,contra 43 da base governista. Além da bancada pepista (seis integrantes eleitos), tende a perder apoios do Solidariedade e de, ao menos três liberais [Vitor Azevedo, Raimundinho da JR e Leandro de Jesus], que estariam em forte articulação com a bancada do governo.

    “Então, dos partidos que disputaram na base do nosso atual governo elegemos em média 30 deputados e isso corresponde a quase metade da Alba – ao todo são 63 deputados. Me lembro de quando era deputado, nós lutávamos para termos 1/3 desse número (cerca de 21). Ou seja, podemos dizer que tivemos nosso melhor desempenho. Efetivamente, foi um numero expressivo, mas a gente sabe como funciona a lógica do parlamento, sabe como funciona a cabeça dos deputados, esse jogo que vai ser começado a ser jogado agora dia 1º e que a medida que as coisas forem acontecendo, os projetos forem chegando o processo pode mudar”, admitiu.

    Independentemente do cenário, Reis, entretanto, foi categórico quanto a orientação dele e do ex-prefeito ACM Neto (UB) aos oposicionistas. “Podem esperar tanto de mim quanto de ACM Neto: nossa orientação para nossa base sempre será votar no que for bom para a Bahia, aprovar o que for bom para a Bahia e ficar contrário ao que não for”, concluiu.

    O deputado estadual Alan Sanches (UB) foi aclamado como líder do grupo e, apesar de admitir a possível baixa, antecipa que terá maturidade por toda sua trajetória, de votar pelo bem da Bahia sem revanchismo, sem radicalismo. “Mas, todas as vezes que percebemos que tentarão nos  empurrar o que não for bom para os baianos, tensionaremos e  faremos toda obstrução necessária, afinal queremos o melhor para o povo baiano”, assegurou.

    “No Governo Federal, o deputado de oposição consegue sustentar o mandato através das emendas que são impositivas, enquanto aqui, embora exista o mesmo instrumento, porém em volume muito menor e que não são pagos devidamente para o grupo contrário, quando isso ocorre, é de forma bem dificultosa. Então, isso faz com que o Governo Estadual, inevitavelmente, seduza, atraía deputados e aumente sua base, permanecendo assim com a velha prática do tratoraço, em que todos os projetos que chegam do Executivo Estadual passam com muita tranquilidade”, justificou um deputado com experiência na Casa.