Passadas as eleições das Mesas Diretoras do Congresso e o Governo Luiz Inácio Lula da Silva vai poder iniciar o processo de teste do real tamanho de sua base, em meio a uma realidade em que ministros filiados ao União Brasil estão envolvidos em denúncias, casos de Juscelino Filho, nas Comunicações, Daniela Carneiro, do Turismo.
O presidente precisou negociar com a sigla de centro e entregar grandes nacos com intuito de garantia da adesão automática no Legislativo, mas isso não é uma coisa certa.
Ao contrário, essa união, é tratado como um caso emblemático, um dos partidos mais recentes do país, nascido em 2021 da junção entre PSL, partido que elegeu Bolsonaro em 2018, e DEM, que tem histórico de direita e de oposição aos governos anteriores de Lula.
Com 59 deputados na Câmara, o que lhe garante a terceira maior bancada (atrás apenas de PL e PT) e mais 10 senadores, o União Brasil foi cortejado por Lula desde a época da eleição do ano passado e seus caciques indicaram três ministros: Juscelino Filho, Daniela Carneiro, também conhecida como Daniela do Waguinho, e Waldez Góes, da Integração Nacional.
Góes, ex-governador do Amapá, ainda é filiado ao PDT, mas entrou no governo na cota do senador Davi Alcolumbre (União-AP) e deve migrar para o seu partido.
Apesar do espaço que ganhou no governo, de acordo com o Metropóles, o apoio que o União Brasil dará a Lula é incerto. Na eleição para a presidência do Senado, por exemplo, os parlamentares do partido tenderam mais para o candidato bolsonarista Rogério Marinho (PL-RN) do que para o governista – e vencedor -, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Além disso, o partido abriga notórios oposicionistas de Lula, como o senador Sergio Moro (União-PR).
A primeira a ser alvejada pelas denúncias foi a ministra do Turismo, Daniela do Waguinho, que foi eleita deputada federal pelo Rio de Janeiro fazendo campanha ao lado de cabos eleitorais ligados a milícia do interior do estado, como Juracy Alves Prudêncio, o Jura, condenado a 22 anos de prisão por homicídio. Daniela é mulher do atual prefeito de Belford
A pressão sobre ela foi mais forte logo no início do governo, mas o assunto acabou ficando em segundo plano após os ataques golpistas às sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro, que passaram as semanas seguintes tomando conta do noticiário. Apesar disso, a ligação da ministra de Lula com milicianos segue sendo explorada, principalmente pelos opositores do governo.
O mais novo alvo de denúncias é o ministro das Comunicações, deputado federal Juscelino Filho, que, segundo apuração do Estadão, destinou R$ 5 milhões do orçamento secreto, durante o governo Bolsonaro, para asfaltar uma estrada que passa em frente a uma fazenda dele em Vitorino Freire (MA). Outra denúncia é de que ele apresentou informações falsas na prestação de contas eleitoral, motivando o Ministério Público Eleitoral maranhense a abrir uma investigação.
Dependente do União Brasil no Congresso, o governo Lula não sinalizou até agora intenção de demitir os ministros sob pressão, mas o início dos trabalhos legislativos será determinante no futuro deles. De acordo com um parlamentar petista próximo à direção do partido, a adesão dos parlamentares do União Brasil às pautas do governo vai influenciar na possibilidade de uma mini-reforma ministerial já no início da gestão.
Se algum dos ministros cair, poderá ser substituído por algum outro indicado pelo próprio União Brasil, mas que garanta mais votos, ou por representantes de outros partidos que já são aliados ou que podem se tornar, como o Republicanos.
Existe ainda uma pressão, em troca do apoio ao governo Lula, uma pressão de integrantes da sigla pelo contrrole da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), do Banco do Nordeste (BNB) e do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), três dos principais cofres da República e no centro de escândalos de corrupção. A fatura está sendo apresentada principalmente pelo líder do União Brasil na Câmara, Elmar Nascimento (BA), segundo integrantes do Planalto. O governo resiste a ceder tudo, mas deve entregar ao menos um dos órgãos ao União Brasil. Interlocutores de Lula dizem que o presidente não aceitará o pedido triplo de Elmar. Já a Codevasf poderá ser cedida. A partilha de cargos de segundo escalão mobilizou o quarto andar do Palácio do Planalto nos últimos dias. Há cobiça de cargos por partidos menores que negociam com o governo Lula, como o Podemos.

