Em meio a invasões dos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em três fazendas da Suzano, empresa que atua no setor de papel e celulose, no sul da Bahia, desde a última segunda-feira (27), nas cidades de Teixeira de Freitas, Mucuri e Caravelas e uma quarta área, que não pertence à empresa, em Jacobina, em que cerca de 1.700 famílias estão nas propriedades, indicado do deputado federal Walmir Assunção (PT), ligado ao movimento, assume o comando do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Bahia.
Conforme publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira (03), o ex-vereador de Cruz das Almas Carlos José Barbosa Borges, mais conhecido como Alemão, é o novo superintendente do Instituto.
Ao frisar sua trajetória de luta, a exemplo de ser filho de costureira e estar por 41 anos servindo ‘com competência e comprometimento ao público da reforma agrária’ e postar sua nomeação, Alemão agradece ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira (PT), ao presidente do Incra César Fernando Schiavo Aldrighi, ao deputado Walmir, ao MST e ao Partido dos Trabalhadores.
Walmir publicou em suas redes sociais que: “O companheiro Carlos Borges (@cb_alemao) assume a Superintendência do INCRA na Bahia. Uma pessoa comprometida com a reforma agrária e a agricultura familiar e camponesa. Parabéns e sorte no novo desafio. Estamos juntos nessa caminhada!”.
A secretária de Assistência Social do governo de Jerônimo Rodrigues, Fabya Reis (PT), também elogiou a trajetória de Alemão em defesa da reforma agrária. “Alemão Sua trajetória em defesa da reforma agrária e da luta camponesa contribuirá muito com este período importante de reconstrução do Brasil sob liderança do presidente @lulaoficial. Vamos juntxs!”, escreveu nas redes de Walmir.
A justiça já determinou que o MST desocupe duas [Teixeira de Freitas e Mucuri] das três fazendas da Suzano. O MST informou que as decisões judiciais serão cumpridas.
Contudo, embora o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira (PT), tenha pedido pedido ao MST que desocupasse as áreas, não deixou de citar que as ações do movimento decorrem de um acordo para assentamento de famílias na região firmado em 2011 com a Suzano e o Incra e que não teria sido cumprido.
Para presidir o Incra, o governo federal confirmou o nome de César Fernando Schiavo Aldrighi, que está à frente do órgão de forma interina desde janeiro.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária informou que realiza pesquisas em seus arquivos para levantar os termos desse acordo. A reunião está prevista para a próxima quarta-feira (8), e ainda depende da desocupação das áreas da Suzano pelo MST, inclusive a de Caravelas, que ainda não teve a ação de reintegração de posse deferida pela justiça.
A Suzano reforçou que cumpre integralmente as legislações ambientais e trabalhistas em suas áreas, gerando valor e renda através de atividades sustentáveis. A empresa disse também que não descumpriu o acordo firmado com o Incra e o MST, já que o cumprimento depende de processos públicos que ainda não foram implementados pelo Incra.
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