Viagem de Torres à Bahia no 2º turno vira alvo da PF por suposta interferência nas eleições

    Político teria tentado barrar eleitores na região Nordeste do país ao determinar bloquear de estradas em áreas em que Lula obteve mais votos

    Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

    A Polícia Federal (PF) investiga uma viagem feita pelo ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, à Bahia, nas vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. A suspeita é de que o político tentou barrar eleitores na região Nordeste do país ao bloquear estradas em áreas em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve mais votos. 

    Torres viajou em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) acompanhado do então diretor-geral da Polícia Federal, Marcio Nunes. Ao chegar na Bahia, o ex-ministro teria instruído o superintendente da PF do estado, Leandro Almada, em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), para parar veículos com eleitores que apresentassem irregularidades. 

    Para justificar a ação, Torres informou que o ministério recebeu denúncias de compras de votos por petistas no Nordeste e que o setor de inteligência indicava que apoiadores de Lula causariam confusão no segundo turno das eleições. O ex-parlamentar solicitou que 90% do efetivo policial trabalhasse nas ruas e estradas durante o período. 

    Uma entrevista coletiva estava prevista para ocorrer no mesmo dia após a votação. A intensa movimentação nas estradas fez com que o ministro do Supremo Tribunal federal (STF), Alexandre de Moraes, intimasse o diretor-geral da PF, determinando a finalização das ações, sob pena de multa e afastamento do cargo.