Só pegaram a brincadeira, diz Otto após sugerir porte de arma a Lula para gatilho do arcabouço

    O senador contou que comentava ‘o espírito da lei’, quando foi questionado a respeito dos gatilhos, mas ‘a imprensa só pegou o porte de arma’

    O senador Otto Alencar (PSD-BA) minimizou a repercussão de uma entrevista na qual afirmou que “o arcabouço fiscal tem tanto gatilho que vai ser necessário o presidente Lula tirar porte de arma” e ironizou trechos do parecer apresentado pelo deputado Cláudio Cajado (PP-BA).

    Em conversa com o bahia.ba, o parlamentar contou que chegou a comentar detalhes do projeto, mas disse que “a imprensa só pegou o porte de arma” depois de sua resposta ao ser questionado a respeito dos tais “gatilhos”.

    “Eu falei tudo que tinha no arcabouço fiscal, qual era o espírito da lei. Primeiro, não permitir que a dívida pública do Brasil cresça em relação ao PIB […]. Segundo, conseguir convencer o Banco Central pra baixar o juros, que está em 13,75%”, pontuou o parlamentar, apresentando como um terceiro ponto o controle da inflação, viabilizando “dar ao presidente Lula espaço fiscal para ele continuar colocando investimentos sociais, infraestrutura, educação, uma média de R$ 180 a R$ 200 bilhões por ano, que é o que o Brasil mais ou menos precisa”.

    Segundo Otto, ele citava o livro “O Espírito das Leis”, de Montesquieu, para esmiuçar o arcabouço, mas o que acabou repercutindo foi o trecho da arma. “Só pegaram a brincadeira que eu fiz, aí o Cajado me ligou zangado”, lembrou o senador.

    “Eu expliquei tudo isso, aí a repórter me perguntou sobre os gatilhos. Eu disse que tem muito gatilho para aumentar salário, para não fazer novos concursos públicos, para não ultrapassar a meta fiscal. E aí eu disse: olha, tem tanto gatilho, que o presidente Lula tem que tirar o porte de arma para acionar o gatilho”, contou Otto Alencar.