Na mira de Haddad, subsídios do governo bateram R$ 581,5 bi em 2022, maior patamar em 6 anos

    No governo Bolsonaro, o Congresso chegou a aprovar uma emenda constitucional obrigando o governo a apresentar um plano para reduzir as renúncias fiscais de cerca de 4% para 2% do PIB

    Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

    A despeito das promessas de derrubar as renúncias e incentivos ficais, o governo brasileiro gastou R$ 581,5 bilhões em subsídios em 2022, o último ano do mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    A conta alcançou 5,86% do Produto Interno Bruto (PIB), afirmando tendência de alta verificada desde o ano de 2021 após quatro anos no patamar de 4% do PIB. O aumento vai na contramão da realidade de dificuldade das contas públicas. O pico dos subsídios aconteceu em 2015, no governo de Dilma Rousseff, quando a União gastou 6,6% do PIB.

    De 2021 para 2022, a fatura com os subsídios subiu para R$ 156,2 bilhões. Com esse valor, daria para zerar o dano nas contas públicas em 2023, previsto pela equipe econômica em R$ 136,2 bilhões, e ainda restariam R$ 20 bilhões.

    Foram revelados dados pelo Ministério do Planejamento e Orçamento na 7ª edição de relatório referente os subsídios tributários, financeiro e de crédito, que afetam as contas do governo e contribuem para a elevação da dívida pública.

    A divulgação dos dados acontece no momento em que o governo Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um programa de subsídio para estimular a venda de carros, caminhões e ônibus novos, com custo inicial de R$ 1,5 bilhão, e o programa “Desenrola”, de renegociação de dívidas com garantia do Tesouro Nacional.

    No governo Bolsonaro, o Congresso chegou a aprovar uma emenda constitucional obrigando o governo a apresentar um plano para reduzir as renúncias fiscais de cerca de 4% para 2% do PIB, mas nada aconteceu.