O minério de ferro e seus concentrados foram os produtos de maior receita (R$ 242,1 bilhões) e participação (5,6%) da indústria brasileira em 2021. Os dez principais produtos concentraram 22,4% da receita líquida de vendas, em participação superior à assinalada em 2020 (20,9%). Os dados são da Pesquisa Industrial Anual (PIA), do IBGE, divulgada nesta quinta-feira (29).
No top 5, que respondeu por 54% do valor da receita líquida de vendas (RLV) dos produtos e serviços da indústria brasileira em 2021, apareceram ainda óleos brutos de petróleo, óleo diesel, carne bovina e etanol..
Em dez anos, o Sudeste foi a única região a perder participação na RLV, embora permaneça na liderança (caindo de 58,9% para 54,2%). As regiões que mais avançaram no período foram Norte (6,1% para 8,3%) e Centro-Oeste (de 5,5% para 7,1%).
Em 2021, a indústria absorvia 8,1 milhões de trabalhadores e pagou R$ 352,1 bilhões em salários. As indústrias de transformação detinham 97,4% dos postos de trabalho do setor. Entre 2020 e 2021, ocupação cresceu 5,3% com mais 407,7 mil vagas: 11,6 mil nas Indústrias extrativas e 396,1 mil nas Indústrias de transformação.
Aspectos macroeconômicos
Para Synthia Santana, gerente de análise estrutural, o cenário da produção industrial reflete os aspectos macroeconômicos: o PIB cresceu 5,0% em 2021 e a inflação registrada pelo IPCA foi de 10,06%. Paralelamente, a taxa de juros chegou a 9,25% em dezembro de 2021. A taxa de desocupação no quarto trimestre daquele ano, segundo a PNAD Contínua, foi de 11,1%, enquanto a balança comercial teve superávit recorde, influenciado pelos preços internacionais.
“Todos esses fatores contribuíram para a recuperação do setor industrial em 2021, após o início da vacinação. Mas a recuperação também se deve a uma base de comparação menor, já que 2020 foi um ano com baixa atividade industrial”, destaca Santana.

