Soraya critica convocação de bolsonaristas presos à CPMI: ‘Estamos buscando peixes grande’

    A senadora defendeu ainda a quebra de sigilo de investigados e ironizou parlamentares contrários à medida a quem atribui medo da descoberta da ‘verdade real’

    Foto: TV Senado

    Antiga aliada que passou à oposição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na CPI da Covid, a senadora Soraya Thronicke (Podemos- MS) criticou uma eventual convocação de bolsonaristas presos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos atos golpistas de 8 de janeiro.

    Para a ex-presidenciável, a medida defendida pelo presidente da CPMI, o deputado baiano Arthur Maia (UB) seria “preocupante” e desconectada dos propósitos da comissão. “Com todo respeito, ouvir essas pessoas que estão presas ou não na Papuda ou na Colméia é um tanto quanto preocupante, porque aqui nós estamos buscando peixes grandes, os covardes que ficaram por detrás dessas pessoas”, argumentou a senadora, na sessão desta terça-feira (10), que contará com oitiva de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

    Para defender seu ponto de vista, a parlamentar sugeriu que eventuais questionamentos a respeito dos direitos humanos deveriam se dar em uma outra comissão e usou dados da Defensoria Pública para pontuar que muitos dos acusados já respondem em liberdade e que aqueles que permanecem no sistema prisional “estão sendo assistidos por advogados contratados, privados”.

    “Essa discussão é à parte do escopo desta CPMI, com todo respeito. Nós buscamos aqui aqueles que ainda não estão sendo investigados ou ainda não foram apontados. Sao os mandantes e os financiadores, não aquelas pessoas que foram colocadas na linha de frente pelos covardes”, concluiu a senadora, que também criticou a presença de parlamentares investigados na comissão, o que em sua visão, atrapalha os trabalhos da comissão.

    “Dias atrás eu dei uma entrevista dizendo que é a própria imprensa que está nos municiando de informações, porque nós não conseguimos ter as informações que nós precisamos. Inclusive eu até acredito que por conta do fato de ainda haver parlamentares investigados dentro desta CPMI que atrapalham o nosso acesso a informações. Por que? Porque investigados não podem ter informações privilegiadas. Isso é um absurdo, isso não existe em lugar nenhum”, lamentou Soraya Thronicke.

    A senadora criticou ainda a “perda de tempo” com conversas e aprovação de requerimentos, em sua avaliação, desnecessários. “Poderíamos deliberar posteriormente acerca disso, justamente porque assim que começar a ordem do dia nós deveríamos parar com a inquirição”, pontuou a parlamentar, segundo a qual, nesta terça já se perdeu “tempo precioso da inquirição de Mauro Cid”.

    Ainda com vistas em acelerar as investigações da CPMI, a senadora defendeu também a quebra de sigilo de alguns investigados e ironizou a resistência por parte dos integrantes da comissão. “Essa preocupação com esse acesso, é o que nos demonstra, é a preocupação, realmente, de descobrirmos a verdade real. Até mesmo porque, se nós conseguirmos abrir os sigilos de alguns investigados, poderíamos até desistir das suas oitivas. Porque não são inocentes? Há muitos inocentes aqui, pelo jeito, então nós já vamos poupar tempo desistindo dessas oitivas”, provocou.