Deputada defende quebra de sigilos para não ‘desmoralizar’ CPMI: Querem encobrir o quê?

    ‘A gente está ouvindo pra depois estudar o que tem no sigilo, o que é que tem no celular, o que é que tem na conta. Isso é uma loucura!’, afirmou Jandira Feghali (PCdoB-RJ)

    Foto: TV Senado

    Durante sessão da Comissão Parlamentar de Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os atos golpistas de 8 de janeiro, nesta terça-feira (11), a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) defendeu a quebra de sigilo de investigados e insinuou que a resistência à medida por parte de alguns parlamentares se deve à tentativa de ocultar informações.

    Segundo a parlamentar, a CPMI tem invertido a ordem lógica da investigação ao ouvir os convocados sem primeiro levantar dados como o sigilo e afirma que tal configuração atrapalha os trabalhos da comissão. “A gente aqui está invertendo, primeiro faz a oitiva e depois vai estudar qual é a implicação de cada figura que a gente está ouvindo. Isso limita a nossa intervenção junto aos depoentes”, defendeu a deputada.

    “Nós estamos fazendo exatamente uma CPI ao contrário aqui, dessa forma. Então, isso não é investigação. A gente está ouvindo pra depois estudar o que tem no sigilo, o que é que tem no celular, o que é que tem na conta. Isso é uma loucura!”, protestou Jandira Feghali,

    Ao defender seu ponto, a parlamentar citou os depoimentos do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques; do bolsonarista preso no DF após planejar um atentado a bomba no Aeroporto de Brasília, George Washington; e do coronel do Exército Jean Lawand Júnior, flagrado em mensagens de teor golpista com o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid, para apontar a “desmoralização” da CPMI por conta de “mentiras” e do silêncio de investigados.

    “Qual é o problema de quebrar esse sigilo pra gente poder ter os dados pra poder inquirir os próximos? Estão querendo encobrir o que aqui? Não estou entendendo qual é a preocupação de membros desta CPI de não ter os dados pra poder investigar”, indagou a deputada, segundo a qual não há motivos para não quebrar os sigilos que poderiam municiar os trabalhos na comissão. “Senão, tudo que fala aqui aparentemente é verdade ou não se diz, porque todo mundo aqui tá podendo ficar calado”, ironizou.

    “Sinceramente, eu não sei o que vocês estão tentando encobrir. Mas que nós precisamos investigar, nós precisamos, e a CPI não pode ficar desmoralizada a cada depoimento que acontece aqui”, concluiu.