Lore diz que ficou ‘perdida’ quando foi questionada como declarava racialmente sua filha

    'Estava sozinha naquele momento e travei"

    Foto: Reprodução/Loreimprota

    A bailarina Lore Improta falou sobre as mudanças em sua vida desde o início do seu relacionamento com o cantor Leo Santana, com quem mantém um relacionamento interracial e a chegada da sua filha Liz, de 1 ano, fruto do seu casamento com o GG da Bahia. Engajada em pautas raciais e aluna assídua sobre como ser antirracista, a influidora digital falou abertamente sobre os aprendizados que envolve o assunto desde que passou a se relacionar com um homem preto. 

    “Quando comecei a namorar Léo, um homem preto, eu o via de igual para igual. Nasci em Salvador, a cidade mais negra do país, mas eu vivia em uma bolha. Não tive uma educação antirracista. Eu sabia que existia o racismo, mas estava em uma posição confortável, não precisava pensar sobre isso. Nunca tinha me atentado que precisava estudar sobre raça”, disse Lore em entrevista ao “Universa Uol”. 

    “Às vezes, eu até tentava puxar uma discussão sobre questões raciais com ele, com minha sogra e cunhadas. Mas eles nunca se aprofundavam nessas questões, eram aspectos pontuais. Também sempre ouvi que, por ser uma mulher branca, eu não teria lugar de fala neste tema. Então ficava nesse lugar confortável”, complementou a bailarina. 

    O mais comum quando um casal interracial engravida, é a questão da cor do bebê. Seja de fala de curiosos ou até mesmo questionamentos internos dos pais. Mas para muitas pessoas, isso pouco importa. Mãe de primeira viagem, a musa da escola de samba Viradouro, revelou que se pegou pensando qual seria a cor da sua filha com Leo Santana. 

    “Grávida, eu me pegava pensando se minha filha seria branca ou preta. E minha assessora pessoal, que é uma mulher preta, me disse que, independentemente do tom de pele da Liz, ela teria uma família preta. Mas, sendo bem honesta, eu não estava preparada para isso”, relatou a influenciadora. 

    A dançarina ainda relembrou o momento em que um médico questionou como ela declarava racialmente a pequena, após o nascimento e explicou que ficou “perdida” no que responder. “Quando ela nasceu, um médico entrou no quarto do hospital para fazer uma ficha e perguntou como eu declarava racialmente minha filha, qual era a cor de pele dela. Eu estava sozinha naquele momento e travei. Fiquei perdida. Ela nasceu com pele clara, mas era fruto de uma relação interracial. Lembro de dizer ‘acho que ela é parda’, mas fiquei com muitos questionamentos naquele momento. Eu nem sequer sabia que a palavra colorismo existia”, disse ela.