‘Medo, não, alegria’, diz Joceval sobre possível mudança no comando do Cidadania

    Membros da direção nacional do partido devem votar pela retirada de Roberto Freire do comando nacional da legenda e seguir para a base do governo Lula

    Foto: Jorge Jesus/bahia.ba

    Joceval Rodrigues, vereador de Salvador e ex-presidente estadual do Cidadania na Bahia, comentou ao bahia.ba a respeito da situação da direção nacional do seu partido e os reflexos disso para a Bahia. Perguntado se tem medo dessa confusão no comando da sigla resultar em algum tipo de mudança na legenda no âmbito local, Joceval brinca: “Medo, não. Eu tenho total alegria”. O vereador, diferente da sua sigla, aderiu à base do governador Jerônimo Rodrigues (PT), desde o segundo turno das eleições de 2022.

    “A reunião deste final de semana, infelizmente, mostrou que o partido está sem uma voz que se faça ouvir e que se faça respeitar. Chegou a hora do diretório nacional se debruçar sobre isso e tomar uma decisão”, defendeu o edil.

    A reunião a qual ele se refere aconteceu no último sábado (19), de maneira online, e vídeos de uma confusão entre o fundado e atual presidente nacional da sigla, Roberto Freire, troca xingamentos com o secretário-geral do Cidadania, Regis Cavalcante. O encontro terminou com a convocação de uma reunião para o dia 9 de setembro, quando deve ser definida uma nova composição da executiva nacional da legenda.

    Segundo o presidente do Cidadania, seus pares querem tirá-lo do comando do partido para que possam aderir ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), posicionamento que ele é contrário. “O que pretendem é me expulsar do partido. Querem me tirar, porque querem aderir ao governo Lula. Não vou reconhecer essa reunião do dia 9 de setembro como legítima”, declarou Freire ao Estado de São Paulo.

    O secretário-geral do Cidadania, Regis Cavalcante, por sua vez, na mesma publicação aponta que o partido está parado devido a postura de Freire. “O partido está praticamente paralisado, porque as decisões da Executiva e do Diretório Nacional não são colocadas em prática, principalmente por conta das dificuldades com o presidente. Não queremos expulsá-lo, mas o partido deixou de ter vida coletiva”, afirmou.

    Na avaliação de Joceval, o enfraquecimento de Roberto Freire ocorre, sobretudo, pelo descontentamento dos seus colegas de partido com a federação formada com o PSDB.

    “O enfraquecimento do presidente é um fato. Ele foi o grande lutador da federação acabou trazendo para ele muitos problemas nos estados. Hoje eu tenho uma relação muito boa com a nossa presidente estadual, estou de licença dessa coisa de gestão partidária, mas a direção nacional vai se reunir na primeira quinzena de setembro e nós vamos toar todas as medidas. Eu não posso antecipar uma coisa que vai ser a convocação do diretório, então são 110 membros do diretório que vão saber como a executiva vai continuar, se a executiva continua com a composição que aí está ou se terá modificações. Existem críticas à liderança do nosso presidente Roberto Freire, existem pessoas que concordam com a forma que ele está conduzindo, existe crítica à direção financeira do partido, muito grande ao tesoureiro, com as distribuições dos fundos na campanha, que prejudicou vários estados, existem várias críticas, então, na próxima reunião do diretório, isso vai ficar resolvido”, analisa o parlamentar.

    Joceval destaca ainda que só depois dessa definição no comando da sigla no nível nacional é que se poderá dizer como o Cidadania deve caminhar em 2024 em Salvador ou em outros municípios baianos, mas que ele permanecerá na base do governo estadual, independente de qual rumo a legenda tomar.