‘Afronta as autoridades de segurança’, diz Bruno sobre morte de Mãe Bernadete

    Prefeito de Salvador cobra rigor na investigação do assassinato "[Espero] que não seja mais um fato que cai no descaso"

    Foto: Carolina Papa/bahia.ba

    Nem mesmo a vigilância das autoridades públicas foram suficientes para conter o assassinato da líder quilombola, Mãe Bernadete, na última quinta-feira (17). Para o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), o crime coloca em xeque a atuação das instituições, visto que a líder religiosa estava sob salvaguarda do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH) do Governo Federal.

    “É uma afronta as autoridades de segurança o que aconteceu. A pessoa, símbolo dos quilombolas no Brasil, a principal líder quilombola, que vinha pedindo as autoridades todo o apoio e pedindo segurança. Infelizmente, esse crime aconteceu debaixo do olhar de todos”, iniciou o gestor municipal, no evento de assinatura para requalificação da Rua Afonso Celso, no bairro da Barra, nesta terça-feira (22).

    Em julho, durante visita da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Rosa Weber, à Bahia, Mãe Bernadete relatou as ameaças que vinha sofrendo dentro do seu território e reforçou o pedido de segurança.

    Em resposta à imprensa, nesta terça, o chefe do Executivo municipal ainda colocou a Prefeitura à disposição para “ajudar na questão da segurança”, contudo, frisou que o caso é de responsabilidade policial.

    “[O caso] foi em Simões Filho, onde está o quilombolo. O que a prefeitura poder colaborar e contribuir, a gente sempre se coloca à disposição para ajudar na questão da segurança. Efetivamente, este caso é de investigação policial que tem que usar a inteligência da Polícia Civil, Federal e da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), todos os mecanismos de investigações disponíveis da Bahia e do Brasil para apurar”.

    Bruno Reis (UB) também cobrou rigorosidade nas investigações sobre o cruel assassinato da idosa de 72 anos, que há a pouco mais de seis anos, perdeu o seu filho Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, pelo mesmo crime. “Não pode ficar impune, espero que não fique. [Espero] que não seja mais um fato que caia no descaso, como inclusive, ocorreu com o filho dela que perdeu a vida há sete anos”.

    Na última segunda-feira (22), o governador Jerônimo Rodrigues (PT) revelou três possíveis teses que motivou a morte da líder religiosa. De acordo com o gestor estadual, as causas para o homícidio podem estar relacionadas com o terreno do Quilombo Pitanga dos Palmares, intolerância religiosa e a disputa das facções criminosas para ocupar o espaço.