Ilhéus: homens são resgatados de trabalho escravo em obra pública

    Todos atuavam na construção do Centro de Arte e Esporte Unificado (CEO) do município de Ilhéus

    Trabalhadores em mantidos em local insalubre, segundo a SETRE (Foto: Divulgação / Setre)

    Auditores fiscais do trabalho resgataram oito trabalhadores de uma obra pública no município de Ilhéus, no sul da Bahia, que atuavam em regime análogo ao trabalho escravo.

    Segundo a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego na Bahia (Setre), eles estavam há dois meses sem receber salários, não tinham as carteiras de trabalho assinadas e dormiam em locais insalubres. Todos atuavam na construção do Centro de Arte e Esporte Unificado (CEO), que é financiada pelo governo federal e prefeitura. O resgate foi realizado na quinta-feira (9).

    À polícia, os trabalhadores informaram que saíram do município de Serrinha, localizado na região nordeste da Bahia, com a promessa de emprego. Há dois meses, entretanto, não receberam os vencimentos. “E nossa família lá fora fica como?”, questiona Fernando dos Santos, um dos profissionais.

    Além do não pagamento, o auditor fiscal do Ministério Trabalho, Daniel Fiúza, afirma que os trabalhadores eram submetidos a condições degradantes e dormiam em mesas, camas improvisadas, sem colchões e travesseiros.

    A empresa responsável pela obra é a São Miguel Construtora Ltda. Um dos sócios da companhia, Luís Reis, disse que os trabalhadores foram contratados por um empreiteiro terceirizado. Os responsáveis pela empresa podem pegar de quatro a oito anos de prisão.