Aprovado projeto que põe bíblia no Dique ao lado dos orixás

    De autoria da vereadora Cátia Rodrigues (PHS), projeto causa polêmica, mas ganha votos favoráveis de governistas da Câmara

    Catia_Rodrigues.ft_Reginaldo_Ipe_20155516184542401
    Vereadora Cátia Rodrigues, autora do projeto

    Com votos da maioria dos vereadores de Salvador, a Câmara Municipal aprovou, na tarde desta quarta-feira (25), o polêmico projeto de indicação 387/2015. De autoria da vereadora Cátia Rodrigues (PHS), a matéria indica ao prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), a instalação de um monumento no Dique do Tororó que represente a Bíblia Sagrada.  Dos 43 edis, apenas os 18 opositores votaram contra.

    Segundo a vereadora, o objetivo é dar aos cristãos o mesmo espaço que foi dado aos candomblecistas com a colocação dos principais orixás cultuados pela religião de matriz africana.  “Se fala tanto em intolerância religiosa e existe um grupo nesta Casa que é contra o meu projeto de indicação, que apenas quer igualar o direito de todos. Temos o direito de ver a bíblia no Dique, assim como outros religiosos têm de ver os orixás”, declarou a autora do projeto.

    O projeto causou polêmica e o assunto ganhou discurso acalorado do vereador Edvaldo Brito (PTB), candomblecista e ferrenho defensor da religião no Legislativo municipal.  Ao bahia.ba, ele disse se tratar de um equívoco da vereadora e uma demonstração de intolerância. “O equívoco qual é: um projeto de indicação já tem um entendimento que só pode ser para algo que não represente uma realização da execução do serviço pela autoridade a quem se indica”.

    Conforme Edvaldo Brito, para que a bíblia seja afirmada, não precisa ser colocada no Dique. “Se ela queria um confronto… deveria fazer com o Alcorão, que é onde está a disputa de saber quem foi primeiro que o anjo Gabriel anunciou a presença de Deus. Se ao profeta Maomé ou a Jesus”.

    “Não tem necessidade de uma bíblia do tamanho daquelas estátuas que estão ali. A bíblia tem valor próprio, não precisa que ela tenha um tamanho daquelas imagens. A bíblia é um livro sagrado para os cristãos e não é renegada pelos adeptos das religiões dos orixás, é respeitada”, acrescenta Brito.

    Para ele, há desconhecimento da religião por parte da vereadora. “Nenhuma daquelas estátuas exprimem orixás, são figurações tiradas pelo escultor para mostrar como se materializa o ser humano naquelas manifestações da religião.  Porém o símbolo não está aí. Há uma diferença do pepelê (altar), que ficam os símbolos dos orixás, e o altar da religião católica, onde ficam as imagens dos santos.  Todas as imagens procuram retratar o santo”.

    Oposicionistas – Outros vereadores da  oposição também se pronunciaram sobre a polêmica.  Um dos discursos, inclusive, ressaltou a necessidade de a Câmara ser fiel ao povo soteropolitano, em sua maioria descendente de africanos. A vereadora Aladilce de Souza (PCdoB), em conversa com o bahia.ba, declarou: “Acho que, para mim, não cabe colocar uma Bíblia junto dos orixás. Acho que a intenção da vereadora foi de confronto”.