Subordinada de Torres cita preocupação com a Bahia e pressão para ligar PT ao crime no 2ª turno

    ‘Havia uma certa pressão para que eu fizesse um relatório que indicasse a relação do PT com facções criminosas (...) mas não fizemos porque não havia comprovação’, escreveu delegada

    Foto: Rinaldo Morelli/CLDF

    Texto encontrado no celular da delegada da Polícia Federal Marília Ferreira, ex-braço direito de Anderson Torres, aponta preocupação do ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PL) com a eleição no Nordeste, em especial na Bahia, e relata “pressão” para ligar o PT a facções criminosas após o primeiro turno.

    De acordo com informações da Folha de S. Paulo, a anotação escrita em primeira pessoa descreve a mobilização do Ministério da Justiça diante da “preocupação” com a região e com a Bahia, que deu ao presidente Lula (PT) 72% dos votos válidos.

    “Havia uma preocupação do ministro com o Nordeste e ele falava muito na Bahia, pois havia visto no mapa com o planejamento do primeiro turno que havia muito pouca distribuição de equipes no interior da Bahia. Desde antes do primeiro turno a DINT [Diretoria de Inteligência] recebia dezenas de vídeos e postagens de pessoas, a maioria delas fake news, sobre compra de votos e ligação do PT com facções criminosas”, diz trecho encontrado no bloco de notas do celular da Marília, entregue pela Apple à CPM do 8 de janeiro.

    “Toda notícia ou informe que chegava, tentávamos fazer a confirmação, pedindo o BO [boletim de ocorrência] ou consultando o centro de inteligência respectivo. Então, algo que estava arraigado ali na SEOPI [Secretaria de Operações Integradas do ministério] era essa relação do PT com compra de votos, e sempre comentávamos sobre isso”, continua. “Havia uma certa pressão para que eu fizesse um relatório que indicasse a relação do PT com facções criminosas, pois havia alguns indicativos disso, mas não fizemos porque não havia comprovação”, acrescenta Marília, que também é ex-subsecretária de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, atuando como subordinada a Anderson Torres quando houve o ataque às setes dos Três Poderes, em 8 de janeiro.

    Segundo o jornal, não é possível identificar a data exata em que ele foi escrito, visto que relatório da Apple diz apenas ter encontrado cinco notas do período entre 31 de dezembro de 2021 e 18 de agosto de 2023.

    Ainda conforme a publicação, a delegada Marília e Anderson Torres estão no centro das investigações que apuram se a Polícia Rodoviária Federal montou centenas de blitze para atrapalhar eleitores petistas e favorecer Bolsonaro. A PF suspeita que a operação foi planejada a partir de levantamento feito sobre locais onde Lula concentrou mais de 75% dos votos no primeiro turno. Dentro deste contexto, o ex-diretor da PRF Silvinei Vasques está preso de forma preventiva desde agosto.