Governo Lula sofre críticas nas redes por não condenar o Hamas

    Insatisfação se deu após notas de autoridades do governo não classificarem as mortes de brasileiros em Israel de assassinatos

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Itamaraty e o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania sofreram críticas nas redes sociais por não condenarem diretamente o grupo Hamas, que está em guerra com Israel.

    Em notas oficiais, o governo brasileiro, por exemplo, não cita o nome da organização extremista nem classifica as mortes de brasileiros em solo israelense como assassinatos.

    O conflito entre o Hamas e Israel reacendeu no sábado (7), após massacre em uma festa de música eletrônica nas proximidades da Faixa de Gaza. Até o momento, dois brasileiros morreram no ataque extremista: Ranani Glazer e Bruna Valeanu, ambos de 24 anos. E um segue desaparecido.

    “Ele (Ranani) morreu de quê, infarto?”, perguntou um usuário na rede social X, antigo Twitter, ao anúncio oficial da morte de um dos brasileiros. “Vocês confundem equilíbrio com covardia! Diplomacia com falta de posicionamento. Essa nota é uma vergonha!”, escreveu outro.

    Muitos internautas, conforme o Metrópoles, também reagiram com frases como “Vamos deixar de ser omissos, né? Vamos explicar que foi assassinada por terroristas do Hamas”, “O que aconteceu com ela (Bruna)? Caiu da laje? Bateu de moto?” e “Brutalmente assassinada por terroristas”. Veja:

    O Metrópoles entrou em contato com o Itamaraty, a Secretaria de Comunicação Especial e o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, mas não recebeu posicionamentos oficiais até a publicação desta reportagem.

    Os senadores Carlos Viana (Podemos-MG) e Alan Rick (União-AC) requereram, nessa segunda-feira (9), que três autoridades ligadas ao presidente Lula sejam convidadas a prestar esclarecimentos na Comissão de Relações Exteriores (CRE) sobre o posicionamento do Itamaraty em meio à guerra entre Israel e Hamas.

    Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores; José Múcio, ministro da Defesa; e Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores, que atuou durante governos anteriores de Lula, são os três convidados à comissão do Senado Federal.

    Viana disse estar preocupado pelo Hamas ter cumprimentado “Lula pela última eleição”, além de o Itamaraty não ter citado o Hamas “nem condenou os atos terroristas”. O senador também deseja saber como o governo federal está contribuindo para a repatriação de brasileiros que estão em Israel.

    Ao confirmar,na manhã desta terça-feira (10), a morte de Ranani Nidejelski Glazer, um dos três brasileiros desaparecidos no ataque do grupo terrorista Hamas contra Israel, o presidente se solidarizou com a família e amigos de Ranani Glazer, mas não citou o Hamas.

    “O Governo brasileiro tomou conhecimento, com profundo pesar, do falecimento do cidadão brasileiro Ranani Nidejelski Glazer, natural do Rio Grande do Sul, vítima dos atentados ocorridos no último dia 7 de outubro, em Israel”, frisou em suas redes sociais.