Ambientalistas e ruralistas discordam de vetos de Lula ao marco temporal

    O porta-voz do Greenpeace Brasil disse que Lula "perdeu uma excelente oportunidade de colocar em prática o que afirmou durante a COP do Egito"

    Foto: Reprodução/Twitter

    Os vetos do presidente Lula (PT) ao projeto do marco temporal de terras indígenas foram duramente criticados pela bancada ruralista e também pelos ambientalistas. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) afirmou que os vetos serão derrubados em sessão do Congresso Nacional. Uma das principais forças do Congresso, a bancada reúne 303 deputados federais e 50 senadores em exercício.

    Em nota, a bancada afirmou que os vetos “serão objeto de derrubada”, “respeitados os princípios de representatividade das duas Casas Legislativas, com votos suficientes para a ação”. “Diante das decisões recentes responsáveis por estimular conflitos entre a população rural brasileira – indígenas ou não, em desrespeito à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal, a FPA não assistirá de braços cruzados a ineficiência do Estado brasileiro em políticas públicas e normas que garantam a segurança jurídica e a paz no campo”, diz o texto.

    Ambientalistas também criticaram o Planalto. O porta-voz do Greenpeace Brasil, Danicley de Aguiar, disse que Lula “perdeu uma excelente oportunidade de colocar em prática o que afirmou durante a COP do Egito”. “Na ocasião, ele assinalou de maneira clara que o Brasil se juntaria aos esforços globais para a construção de um planeta mais saudável e justo. Na prática, o veto parcial do PL 2903 vai na contramão do compromisso assumido com o mundo”, afirmou, em nota.

    Na avaliação do porta-voz, o petista deveria ter vetado integralmente o texto. Segundo Aguiar, com o veto parcial, Lula “atende aos interesses de uma minoria privilegiada”. Ele também diz que é “grave e preocupante” que o petista tenha “cedido à pressão da bancada ruralista”, disse.