Haddad tenta jogar decisão sobre meta para 2024

    Ciente de que está perdendo o debate, o ministro Fernando Haddad passou a defender junto a Lula o prazo de março como o limite

    Foto: Reprodução/Flickr Fernando Haddad (Haddad Oficial)

    Na quarta-feira passada (26), Haddad, Esther Dweck (Gestão), Rui Costa (Casa Civil), Simone Tebet (Planejamento), entre outros representantes das pastas, reuniram-se e fizeram uma análise das medidas aprovadas pelo Congresso. Dali saiu a constatação de que segue difícil conseguir a garantia das receitas suficientes para atingir um déficit zero no ano que vem sem a necessidade de um grande contingenciamento.

    O diagnóstico foi levado a Lula que, no dia seguinte, verbalizou publicamente pela primeira vez ver entraves para o cumprimento da meta. A declaração deu combustível à ala do governo que defende alterar logo a meta, inclusive mandando uma mensagem presidencial ao Congresso.

    Ciente de que está perdendo o debate, o ministro Fernando Haddad passou a defender junto a Lula o prazo de março como o limite para que se tome uma decisão. Isso porque o mês é quando o Tesouro apresenta um balanço da arrecadação do governo. De acordo com integrantes do governo, o arcabouço fiscal permite que o governo envie uma mensagem modificativa ao Congresso alterando a meta.

    Segundo aliados, Haddad não desistiu de manter o alvo que traçou, mas atua para minimiza o desgaste. O presidente também chegou a dizer a aliados temer que Haddad estivesse criando um problema do qual seria difícil sair. Ainda assim, manteve o respaldo ao plano traçado na Fazenda. A mudança no tom ocorreu na semana passada, após ele receber o diagnóstico pessimista de uma reunião com ministros da equipe econômica.

    Na quinta-feira (26), durante café da manhã com jornalistas, Lula expressou a preocupação. “Deixa eu dizer para vocês uma coisa. Tudo o que a gente puder fazer para cumprir a meta fiscal, a gente vai cumprir. O que eu posso te dizer é que ela não precisa ser zero. A gente não precisa disso. Eu não vou estabelecer uma meta fiscal que me obrigue a começar o ano fazendo corte de bilhões nas obras que são prioritárias nesse país”, afirmou o presidente durante café com jornalistas em resposta a questionamento da Folha.

    A declaração do presidente pegou integrantes do governo de surpresa porque não foi previamente combinada com Haddad. A fala intensificou o defesa da mudança da meta que já era feita por ministros e capitaneada por Rui Costa (Casa Civil).