Após críticas do Itamaraty sobre brasileiros em Gaza, embaixador de Israel se reúne com Bolsonaro

    Encontro ‘não passou em branco’ pelo Brasil, que já havia emitido alerta sobre relação ‘insustentável’ caso algo ocorresse com os brasileiros impedidos de sair de Gaza

    Foto: Reprodução / X

    Após o Itamaraty cobrar a repatriação dos brasileiros em Gaza e avisar que a relação entre o Brasil e Israel ficaria “insustentável” caso algo acontecesse com o grupo, o embaixador do país fez um gesto que desgastou ainda mais o relacionamento entre os dois países.

    O movimento em questão foi feito nesta quarta-feira (8), quando o embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zohar Zonshine, convocou uma reunião com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e deputados da oposição ao governo Lula (PT), na Câmara dos Deputados. Durante o encontro, ele exibiu aos políticos brasileiros imagens do ataque terrorista perpetrado pelo Hamas no dia 7 de outubro.

    Conforme o portal Metrópoles, o encontro “não passou em branco” no Itamaraty. Segundo a publicação, o embaixador “cruzou de novo uma linha que não se cruza em diplomacia” ao se reunir com um ex-presidente de oposição, depois de já ter criticado o atual governo brasileiro junto à imprensa.

    Apesar do presidente já ter condenado o ataque do Hamas, inclusive classificando o ato como terrorista, Israel cobra o que chama de “postura mais dura” contra o grupo extremista. O Brasil, por sua vez, apesar de reconhecer o direito de Israel se defender, propõe a criação de um corredor humanitário e a liberação de civis da Faixa de Gaza, incluindo os 34 brasileiros.

    “O ato do Hamas foi terrorista, que não é possível fazer um ataque, matar inocentes, sequestrar gente da forma que eles fizeram, sem medir as consequências do que acontece depois. Porque, agora, o que nós temos é a insanidade do primeiro-ministro de Israel querendo acabar com a Faixa de Gaza, se esquecendo que lá não tem só soldado do Hamas, que lá tem mulheres e crianças, que são as grandes vítimas dessa guerra”, disse Lula, durante café da manhã com jornalistas, no Palácio do Planalto, no dia 27 de outubro.