Lula busca trégua entre Lira e Renan para caso Braskem não atrapalhar agenda do governo

    A instalação da CPI da Braskem está prevista para esta quarta-feira (13)

    Foto: Ricardo Stuckert/PR

    O presidente Lula (PT) promoveu uma reunião no Palácio do Planalto com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), o senador Renan Calheiros (MDB-AL), o ministro Renan Filho (Transportes), o prefeito de Maceió e aliado do presidente da Câmara, João Henrique Caldas (PL), o governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), além de parlamentares.

    A intenção é buscar uma espécie de trégua entre grupos políticos adversários em Alagoas para que a tragédia provocada pela Braskem não interfira da agenda do governo. A instalação da CPI da Braskem está prevista para esta quarta-feira (13). O senador Omar Aziz (PSD-AM), que presidiu a CPI da Covid em 2021, deve ser eleito presidente. Calheiros é apontado como relator.

    Segundo relatos, não houve sobressaltos, mas o encontro foi tenso devido aos embates e posicionamentos distintos. Ao final do dia, a avaliação é de que uma trégua ainda está distante do cenário. Lula teria pedido para diminuir a temperatura e serenar os ânimos. Ele também se colocou como uma pessoa que pode mediar o conflito para tentar resolver os problemas da população de Maceió, num primeiro momento, e para atender os interesses da prefeitura e do estado.

    O petista teria dito que é preciso buscar unidade neste momento, respeitando o posicionamento político de cada um. Após a reunião, o ministro Rui Costa (Casa Civil) disse que o encontro serviu para firmar um “pacto” de “deixar eventuais disputas políticas de lado”. “Para colocar em primeiro lugar a situação da população”, afirmou.

    Ele disse ainda que a reunião não tratou sobre acordos e ações judiciais já apresentados, além do pedido de abertura de CPI para investigar o colapso da mina. “O que o presidente Lula fez foi um apelo para que a centralidade do debate não seja na política”, afirmou o ministro. “Não necessariamente é um problema federal. O presidente está, como líder político que é, buscando uma solução”, disse Rui Costa.

    Lula tem a preocupação de buscar uma saída pela política, como ele costuma dizer, mas sem trazer os problemas para a União. Há um entendimento no Palácio do Planalto de que os movimentos pela conciliação devem ser calculados de forma precisa para que a crise não se torne uma crise do governo federal. Apesar dos esforços, os que estão envolvidos no conflito celebram a tentativa do governo federal em ajudar, mas não sinalizam por uma trégua.