Em ação contra fraudes no Rio, PF apreende R$ 128 mil e planilhas com irmão de Cláudio Castro

    Material apreendido estava distribuído em cofre e em caixas de remédios; Polícia Federal investiga suposto esquema de fraudes de licitações e contratos

    Foto: Reprodução / Facebook

    Durante a operação Sétimo Mandamento, deflagrada nesta quarta-feira (20), no Rio de Janeiro, a Polícia Federal (PF) apreendeu R$ 128 mil, 7.535 dólares, além de planilhas com nomes, valores e porcentagens na casa de Vinícius Sarciá Rocha, irmão do governador Cláudio Castro (PL). Conforme Malu Gaspar, no O Globo, parte do material estava em um cofre, enquanto o restante foi encontrado em caixas de remédios. Investigado por suspeita de envolvimento no esquema , o próprio Castro teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrado na quarta (20).

    Irmão de criação do chefe do Executivo fluminense, Sarciá é presidente do Conselho de Administração da Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro (AgeRio) e atua na gestão do governador. Além dele, também foram alvo da PF Astrid de Souza Brasil Nunes, subsecretária de Integração Sociogovernamental e de Projetos Especiais da Secretaria estadual de Governo; e Allan Borges Nogueira, gestor de Governança Socioambiental da Cedae.

    A operação Sétimo Mandamento investiga supostos crimes de organização criminosa, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro, que teriam sido praticados na execução dos projetos Novo Olhar, Rio Cidadão, Agente Social e Qualimóvel entre os anos 2017 e 2020, nas gestões de Luiz Fernando Pezão e Wilson Witzel. Entre 2017 e 2018, Cláudio Castro era vereador do Rio, enquanto nos dois anos seguintes, foi vice de Witzel.

    Segundo a PF, as investigações indicam que a organização criminosa “penetrou nos setores públicos assistenciais sociais no âmbito do estado do Rio de Janeiro” e realizou fraude a licitações e contratos administrativos, além de desvio de verbas públicas e pagamentos de ‘propinas’ aos envolvidos nos esquemas criminosos.

    “O grupo obteve vantagens econômicas e políticas indevidas, pois procurou direcionar a execução dos projetos sociais para seus redutos eleitorais, aproveitando-se também da população mais necessitada”, informou a Polícia Federal, segundo a qual foram identificados pagamentos de vantagens ilícitas variáveis entre 5% e 25% dos valores dos contratos na área de assistência social, que totalizam mais de R$ 70 milhões.