Empresários se surpreendem com distanciamento de Lula em 3º mandato

    Ministro justifica menor interlocução pela necessidade de reforçar a agenda internacional e ‘reconstruir o governo destruído’, após gestão Bolsonaro

    Foto: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

    Acostumados à boa interlocução nos dois primeiros mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um grupo de empresários se surpreendeu com o distanciamento do petista em sua terceira gestão.

    Conforme relatos feitos à coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, o chefe do Executivo nunca teve celular que atendesse imediatamente, mas sempre retornava os telefonemas e costumava marcar audiências quando solicitadas.

    Eles contaram ainda que o presidente costumava convidá-los para conversas reservadas, nas quais ouvia opiniões e levava-as em consideração. Neste governo, no entanto, os empresários deixaram de ser convocados para os encontros restritos e muitas vezes Lula não retorna as chamadas

    Segundo relataram ministros à coluna, um dos poucos empresários com quem o mandatário mantém conversas regulares é o presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, com quem o petista tem amizade antiga, já que é filho de José de Alencar, seu vice nos primeiros mandatos.

    O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, atribui o distanciamento neste primeiro ano do terceiro mandato à atribulada agenda internacional e à necessidade de “reconstruir o país”, após a gestão de Jair Bolsonaro (PL).

    “O tempo dedicado à necessidade da agenda internacional para reposicionar o Brasil e à necessidade de reconstruir o governo destruído são incomparáveis a momentos anteriores”, disse ele, justificando a diferença de comportamento de Lula na atual gestão.

    “Com tudo isso, vamos terminar o ano com aumento do crescimento, queda da inflação e do desemprego (há sete anos essas três coisas não aconteciam ao mesmo tempo), bolsa com resultado histórico e aprovando tudo que [o governo] precisava aprovar no Congresso”, completou o ministro, segundo o qual em 2024 o mandatário deve se dedicar mais a viajar pelo Brasil.