Lula critica privatização da Eletrobras e diz que país foi devastado por praga de gafanhotos

    Em Salvador, presidente discursou sobre sucateamento promovido pelo governo de Jair Bolsonaro (PL)

    Foto: Ricardo Stuckert/PR

    O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira (18), durante agenda em Salvador, que pegou o “país devastado por uma praga de gafanhotos”. Sem citar nominalmente Jair Bolsonaro (PL), o petista também criticou a privatização da Eletrobras pelo governo do antecessor.

    “Diferentemente do Jerônimo [governador da Bahia], que pegou uma roça plantada, com semente preparada, com adubo já colocado na terra, ele tá no primeiro só colhendo o que foi plantado ao longo dos anos, eu peguei um país devastado por uma praga de gafanhotos que destruiu quase tudo que a gente já havia feito em quase 13 anos”, disse Lula durante discurso na sede do Senai Cimatec.

    Lula afirmou ainda que políticas públicas e ministérios, incluindo a pasta da Cultura, foram sucateados nos últimos quatro anos.

    “A gente já não tinha mais Ministério da Cultura. A gente não tinha mais Ministério da Pesca. A gente nunca teve Ministério dos Povos Indígenas. A gente foi abandonado não apenas com os ministérios, mas a gente foi acabando com as políticas públicas. Fazia quase sete anos que não havia reajuste na merenda escolar de 47 milhões de crianças nesse país.”

    “A Luciana [Santos, ministra da Ciência e Tecnologia] sabe que em apenas um ano ela teve que colocar em ciência e tecnologia, em pagamento de bolsa, muito mais do que foi feito em quatro anos anteriores, porque foi praticamente destruída qualquer possibilidade de investimento neste país”, continuou Lula.

    O presidente chamou de “escárnio” a privatização da Eletrobras, em julho de 2022, e lembrou da proposta de desestatização da Petrobras. “O que fizeram com a nossa Petrobras? A privatização da Eletrobras, as pessoas não gostam que se fale, mas foi um escárnio neste país o que se fez. Um setor estratégico, que é o setor de energia”, criticou.

    “O que me preocupa é que um país do tamanho do Brasil, com a qualidade do povo do Brasil e com o tamanho do sonho do povo brasileiro, a gente não pode viver de mentiras, de leviandades, de provocações, de fake news, como se fosse uma indústria de mentiras funcionando 24 horas por dia. Esse país precisa se dar uma chance. Esse país é muito grande para ser tratado como um país pequeno. Esse país tem um potencial extraordinário, e nós já provamos isso duas vezes. Esse país já poderia estar consagrado como a quinta economia do mundo há muito tempo, mas há muita gente neste país que teima em retroceder”, disse o presidente.

    Na capital baiana, Lula participou da assinatura do acordo de parceria firmada entre Ministério da Defesa, Comando da Aeronáutica, governo da Bahia e o Senai Cimatec para a criação do Parque Tecnológico Aeroespacial da Bahia. A expectativa é que sejam investidos R$ 650 milhões na construção do equipamento e um valor equivalente em equipamentos e laboratórios.

    O parque será instalado na Base Aérea de Salvador, em uma área cedida pela União. O espaço será dedicado ao ensino, pesquisa e à promoção da inovação no campo aeroespacial e vai atuar em quatro vertentes: espaço, defesa, mobilidade aérea avançada e aeronáutica espacial.

    A vinda a Salvador faz parte de uma série de viagens de Lula pelo Brasil de olho nas eleições municipais. O petista decidiu iniciar o giro doméstico por Bahia, Pernambuco e Ceará, estados do Nordeste, região em que concentra sua maior popularidade.