Ao retomar refinaria, Lula justifica calote da Venezuela e ataca Lava Jato

    Presidente da República admitiu que venezuelano "nunca colocou um centavo"

    Foto: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

    De acordo com uma reportagem do UOL, ao relançar a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou sobre o calote da Venezuela durante o seu primeiro mandato e criticou a Operação Lava Jato pelos impactos na Petrobras ao longo dos anos. A reportagem aponta que o investimento seria conjunto, mas a Venezuela nunca participou das obras. As obras da refinaria foram iniciadas em 2005 junto ao ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, morto em 2013. Para o TCU (Tribunal de Contas da União), a indefinição gerou prejuízos a Petrobras, que nega, e a refinaria recebeu o título de “mais cara do mundo”, com custo de quase R$ 100 bilhões.

    Ainda segundo o UOL, o chefe do Palácio do Planalto admitiu que o venezuelano, seu aliado político, “nunca colocou um centavo”, mas não se mostrou arrependido, apesar do atraso na construção. O objetivo, segundo ele, era fazer uma parceria com o país vizinho para que se refinasse o petróleo brasileiro e venezuelano, mas as estatais não concordavam nos termos de colaboração.

    “A Petrobras e PDVESA [estatal de petróleo da Venezuela] eram duas noivas bonitas, muito grandes, e nunca concordaram com nossa ideia [dele e do Chávez]. […] Não cumprimos porque cada um tem de defender os interesses das suas empresas, do seu país. O dado concreto é que nunca o Chávez colocou um centavo aqui”, Lula, justificando o calote venezuelano.

    O UOL ressalta que todo o ato também teve forte tom de crítica à Operação Lava Jato, tanto por parte de Lula quanto do presidente da Petrobras, Jean Paul Prates. O presidente voltou a afirmar que o foco da operação não foram os corruptos, mas a empresa.

    “Eu tive as contas dos meus oito anos de governo aprovadas. Somente 5 anos depois começou o processo de denúncia contra a Petrobras. Na verdade, não era contra a Petrobras. Se quisesse apurar corrupção, você apura. Se o Jean Paul roubou, manda embora e manda para a cadeia. O que não pode é punir a soberania de um país como o Brasil e sua empresa mais importante, que é a Petrobras”, Lula, sobre Lava Jato. A reportagem do UOL complementa que o presidente da República afirmou ainda que a operação causou um clima de perseguição aos funcionários da Petrobras, reconhecidos pelo macacão abóbora. “Quantas vezes companheiros entravam em restaurante para comer e, por estarem com essa camisa [da Petrobras], foram chamados de ladrões? Por que isso acontece? Para ganhar disputa você destrói primeiramente a pessoa. Você inventa uma mentira, destrói”, questionou.