Inquérito da PGR apura se Calheiros recebeu propina no exterior

    É a primeira frente de investigação da Operação Lava Jato que relaciona o peemedebista a um possível recebimento de vantagem indevida também fora do país

    Foto Agencia Brasil

    A Procuradoria-Geral da República (PGR) investiga se o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), recebeu propina no exterior referente a um negócio da Petrobras na Argentina, feito por meio do lobista Jorge Luz.

    De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, é a primeira frente de investigação da Operação Lava Jato que relaciona o peemedebista a um possível recebimento de vantagem indevida também fora do país. Até então, os relatos contra o presidente do Senado eram de que ele foi beneficiado de desvios na estatal por meio de doações legais ou de dinheiro em espécie.

    Também são investigados, no mesmo caso, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE). No inquérito sigiloso, a PGR escreve: “O repasse de vantagem pecuniária indevida a Renan Calheiros, Jader Barbalho e Aníbal Gomes, por meio de valores em espécie no Brasil ou transferências para contas bancárias no exterior, pode configurar os crimes de corrupção passiva qualificado e de lavagem”. O despacho é assinado pela vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, em novembro do ano passado.

    A investigação tem como base a delação premiada do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. Nela, ele afirmou que a Petrobras vendeu sua participação acionária na empresa argentina Transener mediante o pagamento de propina pelo lobista Jorge Luz.

    Baiano disse que Jorge Luz fez pagamentos ao “pessoal do PMDB” no Brasil justamente pelo fato de serem, naquela época, o partido responsável por manter Nestor Cerveró na diretoria da área Internacional da Petrobras.