Dólar tem queda de olho em estímulos da China e apostas sobre Fed

    China anunciou a maior redução já registrada na taxa de referência para hipotecas

    Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil

    O dólar alternava estabilidade e leve queda frente ao real nesta terça-feira (20) com investidores digerindo novos estímulos da China e trabalhando em modo de espera antes da publicação da ata da última reunião do Federal Reserve. Nesta manhã o dólar à vista recuava 0,28%, a 4,9484 reais na venda. As informações são do portal InfoMoney.

    Na Bolsa do Brasil (B3), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,22%, a 4,9520 reais. Esse movimento estava em linha com a baixa de 0,20% do índice que compara o dólar a uma cesta de pares fortes.

    O que a gente teve de relevante para a semana foi o corte de juros no mercado chinês foi um pouco maior do que o mercado esperava… E tudo que mexe com a China mexe com boa parte do mundo”, disse o especialista em câmbio da One Investimentos, Matheus Massote.

    A China anunciou nesta terça-feira a maior redução já registrada na taxa de referência para hipotecas, conforme as autoridades buscam sustentar o mercado imobiliário e a economia em geral.

    No entanto, a reação nos mercados globais ao estímulo era muito contida, em meio a temores de que essa medida não seja suficiente para sustentar uma recuperação econômica frágil e um mercado imobiliário em dificuldades. Além disso, alguns investidores interpretaram o corte de juros como uma preocupação maior das autoridades chinesas com a saúde da segunda maior economia do mundo.

    Sinal da desconfiança do mercado e limitando a valorização do real no dia, os contratos futuros do minério de ferro caíram para seu nível mais baixo em mais de três meses nesta terça-feira. “Como o Brasil é um país exportador, a pauta de exportação dita muito sobre o preço das moedas aqui”, disse Massote.

    Enquanto isso, investidores seguem no aguardo da divulgação da ata do último encontro do Federal Reserve, na quarta-feira, em busca de sinais sobre quando o banco central norte-americano começará a cortar os juros.

    Inicialmente se imaginava maio, mas hoje o mercado já vem precificando, com base nos últimos dados divulgados de inflação, que vieram pior do que imaginado, (início dos cortes de juros em) junho”, afirmou o especialista em câmbio da Manchester Investimentos, Thiago Avallone.

    Com esse diferencial de juros Estados Unidos-Brasil versus o risco dos dois países, a tendência é que haja uma fuga de dólares daqui para os EUA, onde tem um mercado mais seguro, e isso acabe puxando o dólar para cima; por isso a gente vê uma tendência de alta do dólar num curto prazo”, completou.

    Na véspera, o dólar à vista fechou o dia cotado a 4,9621 reais na venda, em baixa de 0,11%. Até agora em fevereiro, a moeda norte-americana acumula alta de 0,5%. No acumulado do ano, o dólar sobe 2,3% frente ao real.