Vale divulga balanço em meio a turbilhão de notícias

    Vale também anunciou parceria com Anglo American

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    O quarto trimestre de 2024 deve ser um período positivo para a Vale (VALE3) em termos de desempenho operacional. Volumes positivos e o preço do minério em patamares elevados devem impulsionar o resultado da mineradora no período. Com isso em vista, investidores, no balanço divulgado nesta quinta-feira (22), estarão de sinalizações sobre provisões, dividendos, sucessão do cargo de diretor executivo (CEO) e noticiário sobre licenças de operações.

    De acordo com informações do portal InfoMoney, entre a noite de quarta (21) e a manhã desta quinta-feira (22), a companhia informou sobre a suspensão de sua licença para operar a mina do Sossego, em Canaã dos Carajás, da subsidiária Vale Metais Básico e para operar a licença da mina Onça Puma. Isso tudo em meio a uma recente fraqueza dos preços do minério, mostrando um noticiário agitado para a companhia.

    No primeiro tópico, de provisão, o mercado aguarda se a Vale seguirá os passos da BHP, sua parceira na Samarco, joint venture responsável pela tragédia em Mariana. Na última semana, a companhia australiana anunciou uma provisão extra de US$ 3,2 bilhões, de olho em reclamações do Ministério Público Federal quanto à tragédia também em obrigações do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

    De acordo com cálculos do BBA, a Vale precisaria fazer um provisionamento adicional de US$ 3,5 a US$ 3,6 bilhões em provisões para igualar os US$ 6,5 bilhões que a BHP reportará para o ano de 2023.

    “Vemos a Vale assumindo US$ 3,6 bilhões em provisões incrementais para virar a página sobre Mariana. Agora, vemos os termos de um acordo final atingindo R$ 126 bilhões (contra R$ 112 bilhões antes), resultando em US$ 3,6 bilhões de provisões adicionai”, disse um dos líderes de times do Itaú, Morgan Stanley.

    Os analistas do BBA acreditam, porém, que investidores já estavam contabilizando as provisões adicionais, totalizando de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões, e por isso o banco não espera que o montante seja uma grande surpresa. Já o Morgan vê a possível medida como um catalisador positivo para as ações, removendo uma incerteza.

    O Bradesco (BBI), na contramão, vê uma probabilidade aumentada de que o aumento de provisões pode levar a uma reação negativa no mercado.

    Uma preocupação que aparece mais, de toda forma, é se as provisões podem impactar a distribuição de dividendos da Vale. “Mediante as incertezas adicionais em torno das provisões e passivos, esperamos que a equipe de administração da Vale adote uma abordagem mais prudente em relação aos dividendos”, diz a equipe do BTG Pactual, dirigida por Leonardo Correa.

    O BTG também levanta, em seu relatório, o tema da sucessão de Eduardo Bartolomeo, cujo mandato acaba no final de maio. A permanência do atual CEO no cargo, por enquanto, é incerta.

    “Não temos diferencial ou visão sobre como prever quem será o próximo CEO da Vale. O bom é que as manchetes recentes que sugerem interferência governamental no processo já ficaram para trás e o risco de cauda foi evitado. No entanto, o que nos preocupa é que aparentemente parece haver uma divisão relevante entre os membros do conselho da empresa”, relatou Correa.