Bolsonaro já tem plano eleitoral para Michelle caso não consiga anistia, diz revista

    Possível cassação do senador Sregio Moro como senador poderá abrir caminho para ex-primeira-dama em eleição suplementar no Paraná

    Foto: Marcos Corrêa/PR

    Jair Bolsonaro (PL) deverá apostar sua fichas na ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, caso não consiga a tão sonhada anistia do Congresso. Reportagem publicada pela edição da Veja desta semana diz que a estratégia do ex-mandatário ficou evidente na manifestação mais recente na avenida Paulista.

    Segundo a revista, Michelle é candidata a herdeira pessoal da popularidade do marido.

    De acordo com a publicação, o début da ex-primeira-dama talvez aconteça em breve, numa eleição suplementar no Paraná, caso se confirme a cassação do mandato do senador Sergio Moro, num julgamento marcado para o início de abril.

    O ex-juiz da Lava-Jato é acusado de abuso de poder econômico. O PL, partido do ex-presidente e da ex-primeira-dama, e a coligação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) — autores da ação — alegam que Moro realizou gastos substanciais em sua pré-campanha à Presidência da República em 2022. Mais tarde, ao optar por disputar uma cadeira no Congresso, teria se beneficiado disso em detrimento dos demais candidatos.

    Se o Tribunal Regional do Paraná julgar as acusações procedentes, o senador terá o mandato cassado e será declarado inelegível por um período de oito anos. Ele ainda poderá recorrer ao TSE, que, nos últimos tempos, tem sido célere e rigoroso em casos semelhantes. Se a condenação for mantida, haverá um pleito para escolher o novo representante paranaense no Senado. Em conversas reservadas, Bolsonaro já admitiu que Michelle poderá disputar a vaga.

    Conforme a Veja, o PL acredita que a força do bolsonarismo no estado coloca a ex-primeira-dama na condição de favorita logo de início, apesar de ela morar em Brasília e mal conhecer Curitiba. Em 2022, o ex-presidente teve 55% dos votos do estado no primeiro turno e 62% no segundo, elegeu Sergio Moro para a única vaga ao Senado e fez três dos oito deputados federais. A disputa, se houver, será mais um round do embate entre petistas e bolsonaristas.

    O PT tem duas de suas estrelas de olho na vaga — a deputada Gleisi Hoffmann, presidente do partido, e o deputado Zeca Dirceu, filho do ex-ministro José Dirceu. Além de Michelle, dois apoiadores do ex-presidente se apresentam como pré-candidatos: o ex-deputado Paulo Martins (PL) e o ex-ministro e deputado Ricardo Barros (PP).