O que fez Lojas Renner cair 5% nesta sexta?

    Recuperação de créditos fiscais somou R$ 151,3 milhões ao balanço e os juros sobre crédito tributário, mais R$ 77,2 milhões

    Foto: reprodução site da Renner

    As ações ordinárias da Lojas Renner (LREN3) caíam 4,48%, a R$ 15,77, nesta sexta-feira (15), após chegarem a uma mínima de R$ 15,65 (-5,21%) próximo da abertura do pregão. O movimento ocorre após a companhia divulgar, na noite da véspera, seu balanço do quarto trimestre de 2023. Os números, apesar de terem vindo um pouco acima do consenso, foram considerados fracos por analistas. Além disso, alguns analistas também destacam a saída de José Galló do cargo de presidente do Conselho da varejista após 32 anos na companhia como um fator negativo, de acordo com informações do portal InfoMoney.

    Sobre o balanço, os especialistas do Bradesco (BBI) citam que o resultado da varejista de moda foi impulsionado, principalmente, por fatores não operacionais e não recorrentes. “Consideramos justa alguma reação negativa no pregão de hoje, dado que, apesar dos números em linha com as projeções, os resultados foram impulsionados principalmente por fatores não operacionais”, diz o time do BBI.

    Do lado operacional, os analistas destacam que a receita, de R$ 3,8 bilhões entre outubro e dezembro, ficou dentro do esperado, com a alta anual, de 7,1%, impulsionada por maiores volumes. O destaque negativo, nesta frente, fica para a margem Ebitda (Ebitda = lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações/receita), que recuou.

    “A receita líquida ficou virtualmente alinhada com as expectativas do mercado, enquanto a lucratividade foi pressionada por despesas mais altas em ambas as divisões: varejo (cuja margem Ebitda caiu 2,8 pontos porcentuais e ficou 1,5 ponto abaixo da nossa estimativa) e serviços financeiros”, disse Itaú (BBA).

    O CFO Daniel Martins dos Santos defendeu que, apesar de a companhia ter derrubado alguns preços para atrair mais clientes, a medida levou as pessoas a comprarem mais, impulsionando o faturamento. Para 2024, ele enxerga que as Lojas Renner chega mais bem preparada, apesar de ainda ver um momento desafiador. Os executivos da Lojas Renner expuseram enxergar maiores capturas de margem em 2024, com o ramp up do novo centro de distribuição (CD). “Na migração, tivemos um pouco de perda de eficiência, com entregas mais longas e ruptura. Agora, vamos estabilizar a operação e, principalmente a partir do segundo trimestre, teremos os benefícios e vantagens do novo CD de Cabreúva, fora os custos adicionais que tivemos com ele”, disse Santos.

    Os diretores da Lojas Renner enxergam o ano ainda como desafiador para o fornecimento de crédito, mas um pouco melhor. “Não somos só nós que falamos. Temos milhões de brasileiros ainda inadimplentes. No entanto, fizemos um bom trabalho de gestão de risco e, ao longo de 2024, vemos a possibilidade de retomar a originação de forma gradativa. Talvez poderemos ver uma melhor contribuição da Realize para o varejo”, ressaltou Santos.

    “Numa nota mais negativa, acompanhado os resultados, as Lojas Renner anunciou que José Galló, atual presidente do Conselho e ex-CEO, está deixando a empresa após 32 anos de serviço. Galló é altamente considerado entre os investidores, que o consideram uma força motriz por trás de grande parte da estratégia e da posição atual da empresa”, confirma o Goldman Sachs.