Pioneira a levar navio até Antártida relata manobras entre icebergs e cobra igualdade de gênero

    Foi uma conquista incrível, motivo de orgulho, diz Sabrina Fernandes

    Foto: Reprodução / TV Globo

    Navegar à frente de um gigante de 75 metros entre enormes icebergs, ver pinguins passeando entre geleiras e assistir a um pôr do sol “espetacular” todos os dias é a rotina da servidora Sabrina Fernandes, 34, capitão-tenente da Marinha. Ela é a primeira mulher brasileira a conduzir uma embarcação na Antártida e desde outubro do ano passado está a bordo do navio de apoio oceanográfico Ary Rongel. As informações são do jornal Folha S.Paulo.

    “Foi uma conquista incrível, motivo de orgulho. A experiência a bordo nesses cinco meses é nova, desafiadora e enriquecedora. Manobramos o navio em condições muito adversas. Navegamos entre icebergs pelos restritos canais austrais e pelo temido Estreito de Drake”, disse.

    Antes de embarcar, Sabrina passou por treinamentos em simuladores da Marinha. Já a bordo, teve adestramentos com os oficiais qualificados para a manobra do navio. A militar adaptou sua vida a bordo e agora, no tempo livre, mantém sua rotina pessoal de atividades físicas e leitura.

    Apesar da conquista, a militar reconhece que os brasileiros vivem em uma sociedade que ainda caminha em direção à igualdade de gêneros. “Temos muitas limitações e muito a avançar.”

    Em 2022, a Escola Naval graduava as primeiras oficiais dos corpos da armada e de fuzileiros navais. Alunas dessa turma, segundo a Marinha, estarão no comando de navios e tropas anfíbias (que se deslocam por mar e por terra) a partir de junho. Essa era uma carreira da Força que ainda não contava com a presença do sexo feminino em suas fileiras.

    A Marinha afirma também que pretende elevar o número de mulheres em seu quadro dos atuais 11,7% para 27% até 2030. Para Sabrina, no entanto, o reconhecimento das militares na Marinha do Brasil não é pequeno.

    “A igualdade de gênero é um caminho sem volta. É a partir desses ‘pioneirismos’, dentre os quais incluo minha conquista, que novas portas estão sendo abertas para uma sociedade mais justa e igualitária”, ressaltou.