Ruptura entre sindicatos de professores adia resolução da greve

    Tentativa de acordo com o Proifes é barrado pela justiça

    Foto: Reprodução/Pixabay

    A ruptura entre as entidades que representam os professores federais marca a greve da categoria por aumento salarial. Andes (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) e Proifes (Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico) discordam sobre como lidar com a paralisação. O Proifes, inclusive, tomou a frente para assinar um acordo com o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos e pede pelo retorno às aulas nas universidades, o trato feito entre as partes, porém, foi suspenso pela Justiça Federal nesta quarta-feira (29).

    Segundo matéria da Folha de São Paulo, o Andes defende continuar a mobilização até que o governo Lula (PT) aceite dar um reajuste ainda neste ano. Em matéria, a Folha de São Paulo apura que, As partes possuem um longo histórico de embates desde o início dos anos 2000, e as discussões ficam mais ríspidas a cada confronto. Por sua vez, O Andes é uma entidade antiga e mais abrangente. Foi criado em 1981, sendo o primeiro sindicato de professores federais no país. Problemas na organização surgiram em 2004, quando ela se aproximou do Psol e, segundo críticos, passou a defender mais o embate virulento que a busca por direitos trabalhistas, além de servir como palanque para críticos ao petismo.

    O Andes representa hoje mais de 60 universidades federais em todos os estados do país. Apesar de possuir muito mais associados em comparação ao Proifes, o governo os recebe em condições de igualdade a cada negociação, o que causa incomodo na entidade.

    A Proifes, por sua vez, nasce justamente neste período, formada por dissidentes do Andes e ligada ao PT (Partido dos Trabalhadores). Ela é uma federação de vários sindicatos. Desde sua criação, a entidade foi responsável por assinar acordos para encerramento das grandes greves de professores federais —2008, 2012 e 2015. Em todas as oportunidades, o Andes foi contra e acusou seu algoz de ser subserviente ao governo, praticando um “sindicalismo chapa branca”, discurso repetido neste ano. Atualmente, a Proifes representa 11 universidades e institutos federais, entre elas a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a Universidade Federal de Santa Catarina e a Universidade Federal do Pará.

    Justiça barra acordo

    Nesta quarta, a 3ª Vara Federal de Sergipe proibiu o governo de fechar acordo salarial apenas com a Proifes. O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos havia anunciado, na segunda (27), um trato com o sindicato pelo fim da paralisação. O reajuste seria de 9% em janeiro de 2025 e de 3,5% em maio de 2026. Com a decisão, o arranjo está suspenso.

    A ação foi movida pela Associação dos Docentes da Universidade Federal de Sergipe, um braço do Andes. Na decisão, o juiz Edmilson da Silva Pimenta diz que um acordo da gestão Lula (PT) com apenas uma entidade pode prejudicar os “direitos pleiteados pelo movimento paredista dos docentes que não são representados pela referida entidade”.