Universidade precisa sanar problemas antes de expansão anunciada por Lula, diz reitor da Ufba

    Presidente anunciou a construção de novo campus no estado sem consultar as universidades locais

    Foto: UFBA

    O reitor da Ufba (Universidade Federal da Bahia), Paulo Miguez, disse ao jornal Folha de S. Paulo que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou um novo campus sem ter consultado a instituição.

    Segundo ele, antes construir o equipamento, a universidade precisa sanar os problemas de infraestrutura com os quais convive antes de passar por um processo de expansão.

    Em meio à pressão para conceder reajuste salarial aos servidores e recompor o orçamento das universidades federais, o presidente Lula e o ministro da Educação, Camilo Santana, anunciaram, na segunda-feira (10), um PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para as universidades federais com a previsão de construção de dez novos campi para as instituições.

    Entidades de reitores, professores e estudantes criticaram o anúncio. Apesar de concordarem que o país precisa expandir o número de vagas no ensino superior público, elas defendem que o governo federal não tem repassado recurso suficiente para o funcionamento com qualidade das instituições existentes.

    “Certamente a Bahia precisa de mais universidades federais, temos apenas quatro instituições no estado, mas todas elas enfrentam uma situação difícil. Todas estão com problemas de finalização, tanto de obras quanto para o corpo técnico. É preciso cuidar dessas questões antes de expandir”, disse o reitor.

    “Cabe-nos registrar que a UFBA não foi consultada sobre o tema. Sobre o assunto, a posição da UFBA ainda reflete o pensamento das quatro universidades federais baianas, expresso em ofício […] encaminhado à Câmara dos Deputados”, diz nota divulgada pela reitoria da universidade nesta terça-feira (11).

    “O documento reconhece a necessidade de expansão do ensino superior no estado, mas estabelece que apenas após sanados os problemas de infraestrutura e de pessoal das instituições, será possível debater a possibilidade de criação de novos campi universitários e novas universidades no estado”, completa a nota.

    As universidades federais têm autonomia administrativa, ou seja, a expansão para a criação de novas vagas ou construção de novos campi precisa ser aprovada pela comunidade acadêmica.