O Ibovespa (IBOV) recuou na abertura desta quarta-feira (26), em meio a preocupações com o quadro fiscal do país diante de novas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ofuscaram, em um primeiro momento, o IPCA-15 abaixo do esperado e a alta do minério de ferro e do petróleo no exterior, de acordo com informações da Forbes Brasil.
O Ibovespa caiu 0,20%, a 122.092,08 pontos. O contrato futuro do IBOV com vencimento mais curto, em 14 de agosto, mostrava declínio de 0,62%. Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento teve alta de 0,66%, aos R$ 5,4960.
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, subiu 0,39% em junho, ante alta de 0,44% no mês anterior. Pesquisa da Reuters com economistas estimava elevação de 0,45% para o período.
Apesar do alívio mensal, a taxa nos 12 meses até junho passou a avançar 4,06%, ante 3,70% em maio. A expectativa era de 4,12%.
Os investidores passaram a acompanhar a entrevista de Lula ao portal UOL. O presidente descartou a possibilidade de o governo desvincular pensões e benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) da política de ganhos reais do salário-mínimo.
“Garanto que o salário-mínimo não será mexido enquanto eu for presidente da República. Eu não posso penalizar a pessoa que ganha menos”, disse.
Em falas recentes, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, vinha defendendo a proposta de desindexação do salário-mínimo da Previdência Social.
Na entrevista, Lula também desconversou sobre a possibilidade de o diretor de Política Monetária do BC, Gabriel Galípolo, substituir Campos Neto a partir de 2025. Lula classificou Galípolo como um “companheiro” preparado, mas disse que ainda não pensa na sucessão de Campos Neto no BC — outro tema bastante sensível para o mercado.

