O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, participa nesta quinta-feira (11), às 18h30 (horário de Brasília), de uma entrevista coletiva com jornalistas, algo raro em seu mandato, em meio as pressões que se acumulam de todos os lados para que o democrata se retire da corrida presidencial. O consenso é de que esse pode ser o momento chave para o futuro da campanha de Biden.
Segundo matéria da Folha de São Paulo, a tentativa feita por Joe Biden de enquadrar democratas não surtiu o efeito esperado. Desde segunda-feira (8), quando o presidente confrontou o partido em defesa de sua candidatura, mais nomes vieram a público pedir que ele se retire da corrida. Pesam no cálculo de deputados e senadores sua própria sobrevivência: muitos temem perder seus mandatos para adversários republicanos caso Biden seja o candidato à Presidência. O raciocínio segue a máxima de que um nome fraco para o cargo mais importante da eleição contamina o desempenho de todos os que vêm abaixo.
A agenda está sendo encarada como uma oportunidade de escrutinar suas condições físicas e cognitivas do presidente de 81 anos, que precisará provar estar apto para exercer o cargo e que o debate foi apenas uma noite ruim, como tem afirmado. Questionamentos sobre a viabilidade eleitoral devem dominar a “coletiva de menino grande”, como foi chamada pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, em alusão ao momento solo entre Biden e imprensa. Essa tarefa fica ainda mais espinhosa diante dos apelos feitos por aliados na quarta para que ele desista, ou ao menos reflita melhor se sua permanência na chapa do partido é o melhor para os EUA.
“Eu entendo por que o presidente Biden quer concorrer. Ele nos salvou de Donald Trump uma vez e quer fazer isso novamente. Mas ele precisa reavaliar se é o melhor candidato para isso. Na minha opinião, ele não é. Pelo bem do país, estou pedindo ao presidente Biden que se retire da corrida”, disse o senador Peter Welch em artigo publicado no Washington Post, Welch é um dos mais recentes nomes a se juntar ao grupo que pede pela saída de Biden.
A fala de Welch veio poucas horas após o ator George Clooney, um importante apoiador democrata, fazer um pedido semelhante em um artigo publicado no New York Times. Clooney participou no mês passado de um evento de arrecadação de fundos para a campanha que levantou US$ 28 milhões. “É devastador dizer isso, mas o Joe Biden com quem estive há três semanas no evento de arrecadação de fundos não era o Joe Biden do ‘isso é do c.’ de 2010 [elogio feito ao ex-presidente Barack Obama ao promulgar a reforma do sistema de saúde]. Ele nem era o Joe Biden de 2020. Ele era o mesmo homem que todos testemunhamos no debate”, escreveu Clooney. Completam a debandada desta quarta os deputados Pat Ryan e Earl Blumenauer. No total, nove democratas da Câmara já pediram publicamente a saída de Biden da corrida.
As declarações seguiram uma entrevista dada pela ex-presidente da Câmara, Nancy Pelosi, uma das principais lideranças do partido, em que ela afirmou que o tempo para o presidente tomar uma decisão sobre sua candidatura está acabando —algo que foi lido nas entrelinhas como um pedido para ele repensar sua continuidade na corrida. Outro senador do partido, o representante do estado do Colorado, Michael Bennet, não pediu explicitamente a desistência do presidente, mas afirmou que teme uma derrota de lavada em novembro.
A campanha democrata já antecipava que essa semana seria sensível, com o retorno de congressistas a Washington após o feriado de 4 de julho e a retomada das articulações partidárias. Por isso, Biden partiu para o ataque na segunda e enviou uma carta à sua base para dar a um basta nas especulações sobre sua substituição. Na terça-feira (9), as bancadas democratas na Câmara e no Senado se reuniram a portas fechadas separadamente. A insatisfação com o desempenho atual do presidente foi pauta principal, mas o parecer final apontava para o apoio ao mandatário, o que trouxe alívio momentâneo à Casa Branca. As críticas desta quarta, porém, mostram que a turbulência está longe de ter sido superada.
Seguindo a estratégia de expor mais o presidente publicamente, para que ele prove ser capaz de cumprir a função sem o auxílio de assessores ou teleprompters, a campanha anunciou uma nova entrevista a um canal de TV, a rede NBC, para a segunda-feira (15), a segunda em duas semanas.

