Ramagem: ‘qualquer ministro do STF abraça a causa da promiscuidade entre MP e Receita’

    A gravação, encontrada no celular de Ramagem, foi tornada pública nesta segunda-feira (15)

    Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

    O delegado de Polícia Federal Alexandre Ramagem fez, enquanto atuava como chefe do órgão de inteligência, importantes ponderações sobre o caminho que a defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL) deveria adotar para conquistar nulidades no inquérito das ‘rachadinhas’.

    A gravação mostra que Ramagem, depois de ouvir algumas estratégias que as advogadas de Flávio pretendiam adotar – um pedido direto ao GSI ou Reclamação no Supremo Tribunal Federal, teria apontado qual seria “o caminho correto de averiguar uma possível vulnerabilidade” no inquérito.

    “O que circula realmente é a promiscuidade entre MP e Receita, desde o começo. Nenhuma novidade. Que bate na questão do e-mail que já é sempre levantado com a quebra do sigilo bancário. Isso é bastante robusto. Qualquer que seja um ministro do STF, ele vai abraçar essa causa. Nessa questão abraça sim”, garantiu.

    A primeira intervenção de Ramagem ocorreu quase na metade da reunião, aos 27 minutos. O encontro se deu um mês após a prisão do ex-assessor Fabrício Queiroz – peça-chave no inquérito das rachadinhas. A gravação, encontrada no celular de Ramagem, foi tornada pública nesta segunda-feira (15).

    No áudio encontrado pela Polícia Federal na Operação Última Milha, ex-diretor da Abin orienta advogadas de Flávio Bolsonaro, filho 01 de Bolsonaro, sobre o melhor caminho para questionar a conduta de auditores da Receita que colocaram Flávio na mira do inquérito das rachadinhas; Ramagem alega que Bolsonaro “sempre se manifestou que não queria tráfico de influência”; Luciana Pires afirma que agiu “de forma técnica e nos estritos limites do campo jurídico”.