Um número cada vez maior de economistas de Wall Street tem avaliado que o Federal Reserve já esperou muito tempo para reverter o curso da política monetária depois de elevar a taxa de juros ao maior patamar em duas décadas, de acordo com informações do portal Bloomberg Línea.
Os dados de inflação moderada nos últimos três meses, combinados com a desaceleração do crescimento econômico dos Estados Unidos (EUA) e o aumento da taxa de desemprego, têm levado a pedidos para que o banco central americano corte a taxa de juros em sua próxima reunião daqui a duas semanas.
O presidente do Fed, Jerome Powell, disse na segunda-feira (15) em um evento que não daria nenhum guidance sobre o momento ideal para realizar cortes na taxa de juros, e a maioria de seus colegas do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que define a política monetária, parece não estar convencida da necessidade de urgência.
Mas os riscos de uma espera muitro longa têm aumentado, de acordo com várias vozes proeminentes, incluindo o economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, o presidente do Queens’ College e ex-CEO da Pimco, Mohamed El-Erian, e Neil Dutta, da Renaissance Macro Research.
“Vemos uma sólida justificativa para cortes já na reunião de 30 e 31 de julho. Se a justificativa para um corte é clara, por que esperar mais sete semanas para fazê-lo?”, questionou Hatzius em um relatório publicado na segunda-feira.
Espera-se que o Fomc mantenha a taxa básica de juros estável em julho pela oitava reunião consecutiva, marcando um ano desde que ela atingiu o nível atual, entre 5,25% a 5,5% ao ano.
Os investidores apostam em, pelo menos, dois cortes antes do final de 2024, começando em setembro, de acordo com os contratos futuros.
Na segunda-feira, Powell afirmou que as leituras recentes da inflação “aumentam um pouco a confiança” de que a variação de preços se aproxima da meta de 2% do banco central americano, e que os formuladores de política monetária estão agora concentrados em ambos os mandatos do Fed: pleno emprego e estabilidade de preços. Mas ele também sinalizou a necessidade de obter mais evidências antes de iniciar um ciclo de corte de juros.
Embora a taxa de desemprego permaneça relativamente baixa, em 4,1%, ela aumentou em cada um dos últimos três meses. Ela subiu depois de atingir um patamar mínimo de 3,4% no início de 2023, levantando preocupações sobre o risco de recessão.
A inflação, por sua vez, foi moderada no segundo trimestre, após um aumento inesperado nos primeiros três meses de 2024.
O chamado núcleo do Índice de Preços ao Consumidor – que exclui os custos de alimentos e energia – subiu apenas 0,1% em junho, marcando o menor avanço mensal desde agosto de 2021.
Desde a divulgação dos últimos números da inflação, em 11 de julho, dois formuladores de política monetária – o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, e a presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly – destacaram que o Fed está próximo de obter a confiança necessária para reduzir a taxa de juros.
O argumento a favor da espera para cortar os juros é que a queda da inflação tem sido com solavancos, conforme evidenciado pelas leituras do primeiro trimestre. Os diretores do comitê mais favoráveis a um aperto monetário estão preocupados que qualquer alta mais expressiva dos preços possa desencadear um aumento nas expectativas de inflação, tornando mais difícil atingir a meta de 2% do Fed.
“Houve vários casos de pessoas que declararam vitória prematuramente nessa batalha. Há um forte argumento aqui a favor de esperar até a reunião de setembro”, disse o economista sênior do banco Wells Fargo, Michael Pugliese.

