Venezuela bloqueia entidades de notícias independentes, segundo entidades

    ONG afirma ter detectado seis portais sob censura; para oposição, medida mostra regime perdido na tentativa de restringir acesso à informação

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    A cinco dias das eleições na Venezuela, o regime do ditador Nicolás Maduro, que governa o país, bloqueou o acesso a sites de notícias independentes, segundo uma ONG e o sindicato da imprensa.

    O VE Sin Filtro afirma que as restrições foram impostas nas principais operadoras de internet estatais e privadas venezuelanas contra os sites Tal Cual, El Estímulo, Runrunes, Analítico e Mediaanálisis. O próprio site da entidade, um braço da ONG Conexión Segura y Libre que documenta os bloqueios do regime, também teria sido afetado.

    Segundo a ONG, o bloqueio começou por volta das 12h locais (13h de Brasília) desta segunda-feira (22). O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP) confirmou as informações.

    De acordo com a imprensa local, a ordem veio da Conatel (Comissão Nacional de Telecomunicações). Os sites estão bloqueados para IPs (endereço de conexão à internet) na Venezuela.

    A mídia venezuelana afirma que, entre os sites com restrições, há pelo menos três que checam notícias falsas — Espaja.com, Cazadores de Fake News e Observatorio Venezolano de Fake News. Os dois primeiros foram bloqueados no início da campanha eleitoral.

    Com as restrições impostas nesta segunda-feira, o número de meios de comunicação bloqueados pelas principais operadoras do país ultrapassa 60, de acordo com o VE Sin Filtro — muitos já estavam bloqueados antes mesmo das eleições.

    Em um relatório no início de julho deste ano, o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk, expressou preocupação com o aumento de bloqueios de sites no país. Na ocasião, eram pelo menos 50 portais com restrição, seis a mais do que no relatório anterior.

    “Incentivo as autoridades a suspender as restrições ao espaço cívico, protegê-lo e garantir processos eleitorais totalmente transparentes, inclusivos e participativos, em conformidade com os padrões internacionais”, afirmou Turk. O documento foi publicado quase cinco meses depois da expulsão do escritório do comissário do país, em fevereiro.

    Maduro tem endurecido suas ações contra a oposição nos últimos meses, à medida que as eleições presidenciais do próximo domingo (28) se aproximam. De acordo com institutos de pesquisa, o principal adversário do ditador, o diplomata Edmundo González, lidera as intenções de voto.

    González tornou-se candidato após a principal figura da oposição, María Corina Machado, ser impedida de concorrer, e a primeira alternativa, Corina Yoris, também não conseguir inscrever sua candidatura.

    A Plataforma Unitária Democrática — principal coalizão de oposição à qual pertencem González e Machado — criticou o bloqueio em mensagem no X. “Seguir censurando meios é uma medida de quem se sabe perdido e que busca restringir o acesso à informação diante do 28 de julho, mas os venezuelanos a esta altura já têm claro o seu voto.”