Mercado espera manutenção da Selic e avalia sinal sobre volta do aperto em setembro

    Economistas preveem manutenção da Selic em 10,50% ao ano pelo Copom amanhã (31)

    Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

    O Banco Central (BC) deve manter a taxa Selic em 10,50% ao ano pela segunda reunião seguida nesta quarta-feira (31) e reforçar a mensagem de cautela diante do impacto da alta do dólar e das incertezas fiscais sobre as expectativas inflacionárias, de acordo com informações do portal InfoMoney.

    É unânime a expectativa dos 29 economistas consultados pela Bloomberg de que o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciará a manutenção dos juros.

    Analistas consideram a possibilidade de alteração do balanço de riscos, que poderia ser entendida como sinal de elevação futura da taxa básica.

    No encontro anterior, o BC não fez em seu comunicado nenhuma sinalização sobre movimentos futuros, mas o mercado já precifica a retomada do aperto monetário em setembro, com uma alta acumulada projetada de 1 ponto percentual até o fim do ano.

    Economistas consideram que o comunicado da reunião deve trazer um tom mais duro e refletir preocupações com o cenário fiscal, mesmo depois do anúncio da contenção de gastos pelo governo.

    Esta incerteza, aliada ao efeito das oscilações do iene japonês sobre as moedas emergentes, levou o real ao posto de moeda de pior desempenho entre as principais divisas no ano.

    O balanço de riscos que o Copom descreve em seus comunicados têm sido mantido como simétrico, ou seja, com riscos equivalentes de alta e baixa da inflação.

    Porém, diante da evolução recente do cenário, haveria a possibilidade de o balanço se tornar assimétrico, mais inclinado para a alta, o que poderia ser entendido com sinalização de aumento da Selic nas próximas reuniões.

    Um eventual sinal de alta dos juros geraria uma situação propícia a novos ruídos entre o governo e o Banco Central, que foi alvo de fortes críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando o ciclo de cortes da Selic foi interrompido.

    Em caso de mudança na sinalização, o mercado também estará atento a eventuais divergências no Comitê, que conta com quatro membros indicados pelo atual governo, o qual também apontará o sucessor de Roberto Campos Neto no comando do BC a partir de 2025.