Ibovespa fecha com nova queda, antes de Super Quarta; blue chips caem, Usiminas sobe

    Bolsas dos EUA fecham mistas às vésperas da decisão de juros do Fed

    Foto: Ibovespa

    O Ibovespa (IBOV) engatou a segunda queda seguida, dessa vez com menos 0,64%, aos 126.139,21 pontos, uma perda de 814,65 pontos. O clima de cautela, antes das decisões dos bancos centrais de Brasil, Estados Unidos (EUA) e Japão nesta quarta-feira (31), se manteve, de modo que o dólar comercial chegou a repetir a performance de ontem, avançando com amplitude, para no final devolver os ganhos e ficar próximo da estabilidade, com queda de 0,10%, a R$ 5,62. Já os DIs (juros futuros) foram na contramão de ontem e recuaram por toda a curva. Além dos DIs, o que mudou de ontem para hoje não tem nada a ver com economia: foi o Brasil que conquistou mais uma medalha em Paris, de acordo com informações do portal InfoMoney.

    Segundo pesquisa da XP com gestoras divulgada hoje, a perspectiva de queda nos juros dos EUA nos próximos meses mexeu nas carteiras refletindo a aposta de que a moeda americana enfraquecerá até o fim de 2024. Entre os respondentes, 27% disseram manter posições vendidas em dólar, contra 6% em junho e 11% em maio. O levantamento também mostrou que as gestoras avançaram ligeiramente nas posições compradas (que se beneficiam da valorização) em real versus dólar, com aumento de 7 pontos percentuais em relação a junho, subindo de 37% para 44%. A visão mais negativa para a moeda brasileira ainda é predominante.

    Os gestores estão se posicionando considerando uma Selic estacionada em 10,50% até o fim do ano, mas isso não impediu revisões altistas para a inflação em 2024. A média entre as casas aumentou de 3,8% para 4,07%, o que adiciona alguma pressão no Banco Central (BC) em relação aos juros. O relatório indica que há conversas entre os agentes de mercado sobre uma possibilidade de alta dos juros neste ano, mas a maioria (76%) dos gestores consultados segue aplicada (posição que se beneficia da queda) em juros reais ou nominais brasileiros.

    Caio Megale, economista-chefe da XP, hoje no Morning call da XP, comentou sobre a reunião do Copom: “os fundamentos estão muito voláteis. É muito cedo para dizer que tem que subir a taxa de juros. Não acho que vai haver dissenso (na decisão do Copom nesta reunião). Vai vir uma decisão unânime. Mas ao longo do tempo a gente pode voltar a ter dissenso. Acho que o câmbio é chave nisso. Se o câmbio ficar em R$ 5,80, vai ter unanimidade em subir (os juros). Se ele voltar para R$ 5,40, a unanimidade vai ser pela manutenção. Mas se ficar nesse meio do caminho que a gente tem hoje, inflação incomodando, expectativa (da inflação) subindo, a gente pode ter dissenso”.

    Nos EUA, sem mudanças também: os principais índices fecharam mistos, na expectativa pelo Fed. A diferença que os resultados ficaram mais distantes da estabilidade.

     

    Ibovespa cai com Vale e Petrobras

    Independente disso, foram as commodities que mexeram com o Ibovespa hoje, além da expectativa pela Super Quarta. Felipe Castro, planejador financeiro e sócio da Matriz Capital, resume o quadro: “Vale caiu acompanhando a queda do preço do minério no mercado internacional, e Petrobras recua após dados de produção frustrantes”.

    Vale (VALE3) desceu amplos 2,21%. Petrobras (PETR4) recuou 0,62%, com os dados do segundo trimestre de 2024 mostrando que a produção de óleo teve alta de 2,4% (na comparação com o 2T23). Na comparação com o último trimestre, houve queda sequencial já esperada com base nos dados preliminares da ANP.

    Os grandes bancos foram outra decepção, com exceção de Santander (SANB11), que subiu 0,81%: BB (BBAS3) liderou as quedas, com 0,77%, com Itaú Unibanco (ITUB4) perdendo 0,38% e Bradesco (BBDC4) descendo 0,80%.