Ata do Copom detalha preocupações e afirma que não hesitará em elevar a taxa Selic

    Texto detalha razões por trás de cautela dos diretores do Banco Central

    Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

    Uma ata da reunião realizada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) entre os dias 30 e 31 de julho revela que órgão enxerga o cenário atual da economia brasileira como desafiador, marcado por projeções mais elevadas e mais riscos para a alta da inflação, e reforça que “não hesitará em elevar a taxa de juros para assegurar a convergência da inflação à meta se julgar apropriado”.

    Segundo matéria do InfoMoney, a ata pontua ainda que a política monetária deve se manter contracionista por tempo suficiente em patamar que consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno da meta. “O Comitê se manterá vigilante e relembra que eventuais ajustes futuros na taxa de juros serão ditados pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta.”

    O texto detalha também os motivos para o comportamento cauteloso dos diretores do Banco Central, “no cenário doméstico, o mercado de trabalho e a atividade econômica, em particular o consumo das famílias, têm surpreendido e divergido do cenário de desaceleração previsto”, pontua.

    A cena pouco favorável no exterior, com a incerteza sobre os impactos e a extensão da flexibilização monetária nos Estados Unidos e a nova elevação nas projeções de inflação relevante de política monetária, apesar da nova eleveção na trajetória da taxa Selic também são citadas.

    Risco fiscal

    O Comitê também reforçou na ata a visão de que as incertezas sobre a estabilização da dívida pública, o aumento de crédito direcionado e a falta de movimentação em torno de reformas estruturais e de disciplina fiscal têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia. E que isso terá “impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade.”

    Por fim, o texto, alinhado com a percepção mais recente dos agentes de mercado sobre o crescimento dos gastos públicos e a sustentabilidade do arcabouço fiscal vigente, pontuou o forte impacto deste movimento sobre os preços de ativos e as expectativas.

    “O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária”. “Políticas monetária e fiscal síncronas e contracíclicas contribuem para assegurar a estabilidade de preços e, sem prejuízo de seu objetivo fundamental, suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego.” diz a ata.