Casas Bahia: com balanço fraco, mas melhor do que o “temido”, BHIA3 salta mais de 20%

    Companhia apresentou lucro líquido de R$ 37 milhões no segundo trimestre de 2024 e reverteu prejuízo de R$ 492 milhões no mesmo período de 2023

    Foto: Reprodução/Época Negócios

    Melhores do que o esperado, foi a visão geral dos analistas para os números do Grupo das Casas Bahia (BHIA3), com destaque principalmente para a melhora da rentabilidade em meio ao processo de reestruturação da varejista. Com isso, nesta quinta-feira (8), os papéis das Casas Bahia saltavam 21,31%, a R$ 5,18, inclusive acelerando os ganhos no início da tarde e após alguns leilões, de acordo com informações do portal InfoMoney.

    A companhia apresentou lucro líquido de R$ 37 milhões no segundo trimestre de 2024 e reverteu prejuízo de R$ 492 milhões no mesmo período de 2023. O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) Ajustado da companhia foi de R$ 452 milhões, com queda de 3,5%, porém uma margem Ebitda 0,7 ponto porcentual maior, em 7%. A receita líquida da varejista caiu 13,5% e ficou em R$ 6,479 bilhões.

    “A Casas Bahia reportou resultados melhores do que o temido no 2T24. Embora a receita tenha ficado amplamente em linha com as expectativas pouco exigentes, mais uma vez a margem Ebitda ajustada surpreendeu positivamente devido à margem bruta melhor do que o esperado. Isso foi impulsionado por um mix de vendas mais favorável, já que a empresa continua a se concentrar em um sortimento mais lucrativo e a mudar algumas categorias de 1P [estoque próprio] para 3P [marketplace]”, disse o Goldman Sachs.

    No geral, o Ebitda absoluto superou as expectativas do Goldman e da Bloomberg em 6% e 7%, respectivamente. A dinâmica do capital de giro também mostrou melhora (-23 dias ano a ano, avalia o banco, impulsionada principalmente pelos estoques), levando o consumo de fluxo de caixa livre a melhorar significativamente ano a ano.

    Para a XP, os resultados foram fracos, uma vez que a reestruturação contínua a prejudicar o crescimento da receita e os resultados financeiros a pressionar o lucro, mas a rentabilidade teve melhora.

    O GMV (vendas brutas de mercadorias) total diminuiu 12% em relação ao ano anterior, impulsionado por um fraco desempenho online no 1P (-34%) devido ao menor investimento no canal B2B e ajustes no mix de produtos, enquanto o ambiente macro desafiador continuou a ser um obstáculo para o desempenho no varejo físico (-2,5%) e no 3P (estável em relação ao ano anterior). Como resultado, as vendas líquidas consolidadas caíram 14%.

    A XP também aponta que a rentabilidade foi o destaque, com iniciativas de reestruturação, como a otimização de estoques e mix de produtos, ainda sustentam a melhora da margem bruta (+1,5 ponto percentual, ou p.p., em relação ao ano anterior e +0,8 p.p em relação ao trimestre anterior), embora a margem Ebitda ajustada tenha aumentado em menor escala devido à desalavancagem operacional.

    Já o prejuízo líquido ajustado (excluindo um ganho não-caixa não recorrente de R$637 milhões relacionado à renegociação da dívida) foi de R$ 384 milhões, ainda impactado por pesadas despesas financeiras, enquanto a geração de caixa foi positiva em R$ 127 milhões, apoiada pela monetização de créditos tributários, embora com pagamentos ainda elevados de contingências trabalhistas (R$ 190 milhões).

    O JPMorgan (JPM) ressalta os resultados operacionais fracos, mas em recuperação, no 2T24, afetados por um ambiente de demanda ainda desafiador, além do plano de recuperação em andamento. Nesse contexto, as vendas líquidas caíram 13% ano a ano (em linha com o consenso), enquanto a empresa expandiu a margem bruta e Ebitda. “Ainda assim, o lucro por ação ajustado (excluindo o impacto do reperfilamento da dívida) foi de – R$ 3,40 versus – R$ 5,30 no ano passado e abaixo do consenso de – R$ 2,60. Em nossas estimativas, ao excluir os R$ 357 milhões em venda de créditos fiscais, a empresa queimou cerca de R$ 180 milhões de caixas trimestralmente”, aponta o banco americano.

    Para a Genial, o destaque ficou para os dados de vendas. Apesar de consolidar uma dinâmica operacionalmente fraca, com uma retração de 11,8% no volume total de vendas ano a ano, a performance no canal de lojas físicas não veio tão ruim quanto o esperado, com o grupo registrando um GMV de Lojas Físicas de R$ 5,9 bilhões (-1,7% na comparação ao ano, 5,2% acima da projeção da Genial).